O sítio Daily Beast leu as letras pequenas da política de privacidade da Samsung SmartTV e deu conta de uma linha que está a fazer correr tinta na imprensa da especialidade: a tecnologia de comando por voz das novas televisões pode estar a ouvir (e a registar) todas as conversas que está a ter na sala de estar. O sistema de reconhecimento de voz permite ao utilizador libertar-se do tradicional comando para, por exemplo, aumentar o volume ou mudar de canal, mas isso obriga a que esteja ligado à internet.

Essa informação (a voz) é enviada para os servidores da Samsung mas pode ser cedida a aplicações de terceiros, como se lê no documento. A Samsung esclarece que o utilizador sabe sempre quando esta função está ativa e que tem a opção de a desligar. A linha da controvérsia é, de acordo com a marca sul-coreana, um alerta feito por iniciativa própria a bem da transparência, para que os utilizadores estejam plenamente esclarecidos sobre como funciona o serviço.

Em comunicado, a Samsung Portugal afirma que “no caso de os consumidores ativarem a capacidade de reconhecimento de voz, os dados de voz consistem, apenas, em comandos de televisão, ou em frases para pesquisa. Os utilizadores podem facilmente verificar se esta funcionalidade se encontra ativada sempre que o ícone de um microfone surge no ecrã.”

A Samsung afirma também que “não vende os dados de voz a terceiros”.

“Se um consumidor consentir e usar a funcionalidade de reconhecimento de voz, os dados de voz são transmitidos a uma entidade terceira que se limita, unicamente para efeitos da finalidade referida acima, a transformar esses dados de voz em texto e transferir o texto para a Samsung SmartTV que, por sua vez, a transferirá para o servidor que está apto para responder à questão verbalizada pelo Utilizador.”

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A recolha de informação já existe há algum tempo e milhões de pessoas já transporta no bolso dispositivos que o fazem. Os dados de voz são processados e enviados via internet com o objetivo de melhorar e prestação e rigor do serviço, como acontece, por exemplo, com os assistentes de voz da Apple, Google e Microsoft.

Este assunto não é novo, em 2013 a LG foi obrigada a prestar esclarecimentos sobre a recolha de dados de voz (também através das respetivas “televisões inteligentes”). Mas no mesmo ano ficou provado que é possível a um pirata informático ativar a câmara dos computadores da Apple, mantendo a luz que o assinala apagada.

A “internet das coisas” é uma tendência imparável e num futuro próximo todos os aparelhos eletrónicos (nomeadamente os eletrodomésticos) vão estar ligados à internet. É importante ter consciência de que a tecnologia existe para nos servir, mas em caso de dúvida, desligar o cabo que a liga à internet pode bem ser a única forma de garantir a privacidade.