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O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, reconheceu esta quarta-feira que deu ordens para as tropas daquele país abandonarem Debaltseve, avança a BBC. Na terça-feira, Vladimir Putin, o presidente russo, já havia apelado à rendição das tropas inimigas. Já o porta-voz dos rebeldes separatistas, Eduard Basurin, anunciou ontem que cerca de 5.000 soldados ucranianos já se tinham rendido e que tinham tomado 80% da cidade, a que agora se seguiria “uma limpeza”. Os números batem certo com os avançados na manhã de quarta-feira por Poroshenko.

“As forças armadas da Ucrânia e a Guarda Nacional completaram esta manhã [quarta-feira] uma operação para uma planeada e organizada retirada de Debaltseve”, confirmou Poroshenko, num comunicado

“Espero que as figuras responsáveis da Ucrânia não dificultem a vida aos soldados ucranianos por estes baixarem as armas”, disse Putin terça-feira, numa visita à Hungria, que muitos dizem servir para lembrar à Europa que também tem amigos no Velho Continente (ofereceu também um novo acordo para o gás natural). “Se eles não são capazes de tomar essa decisão, dando a ordem, então [eu espero] que eles não persigam as pessoas que querem salvar as suas vidas e as vidas de outros”, afirmou o presidente russo, citado pela Reuters.

Enquanto os rebeldes afirmavam, durante terça-feira, que haviam ocupado a cidade, Petro Poroshenko, o presidente ucraniano, censurava a violação do cessar-fogo assinado em Minsk há menos de uma semana e pedia a intervenção do Conselho de Segurança das Nações Unidas. “Hoje o mundo precisa de parar o agressor”, escreveu na sua página oficial na internet. A batalha por Debaltseve tem sido a mais violenta no conflito entre os dois países, porque esta é uma cidade com relevância estratégica (25 mil habitantes): tem um caminho-de-ferro chave que liga as duas cidades tomadas pelos separatistas, Donetsk e Luhansk.

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Vladimir Putin diz que Estados Unidos estão a armar a Ucrânia

A subida de tom no combate por Debaltseve coincide com a discussão sobre se os Estados Unidos vão ou não enviar armas para ajudar os ucranianos a defenderem-se. Putin, em Budapeste, afirmou que esse é um cenário que já acontece. “De acordo com as nossas informações, essas armas já estão a ser entregues, conta a AP.” O presidente russo admitiu que o número de vítimas pode “obviamente” crescer. “Mas o resultado será o mesmo de hoje. Isto é inevitável”, avisou.

Kiev e NATO dizem que o assalto à cidade estratégica entre Luhansk e Donetsk está a ser reforçado por tanques, artilharia e soldados do exército russo. Moscovo nega que esteja a contribuir para o movimento separatista, mas Putin até chamou àquela região a “Nova Rússia”.

Já a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, que esteve em Portugal terça-feira, vai negando o falhanço do acordo assinado em Minsk, embora reconheça que a violação do cessar-fogo não seja encorajadora. “Desde que o acordo assinado ainda seja visto por ambas as partes como necessário implementar, eu não direi que houve um falhanço.”

Canadá avança com sanções contra Moscovo e simpatizantes

A AFP anunciou esta quarta-feira que o Canadá avançou com sanções contra Moscovo e simpatizantes, num leque em que está inserida a gigante petrolífera Rosneft, no seguimento do incumprimento do cessar-fogo acordado entre Rússia e Ucrânia.

As novas sanções económicas afetarão 37 indivíduos russos e ucranianos, assim como 17 entidades dos dois países. “O nosso governo continua firme com o seu compromisso de apoiar o povo da Ucrânia face à agressão militar em curso do regime de Putin, que já custou a vida a mais de 5.300 pessoas”, disse Stephen Harper, o primeiro-ministro canadiano. “A posição do Canadá continua clara: reconhecemos a soberania e a integridade territorial da Ucrânia e nunca reconhecemos a ocupação ilegal russa em nenhuma zona do país.”