A Grécia celebra esta quarta-feira o Dia da Independência, um feriado que comemora o início da Guerra da Independência Grega face ao Império Otomano, em 1821. Num conjunto de festividades organizado pelo Ministério da Defesa, milhares de militares vão marchar acompanhados de música tradicional e dança. Deverá encher a Praça Sintagma, não obstante ser de Bruxelas e de Frankfurt que se esperam decisões cruciais para o futuro imediato do país.

Segundo a agência Bloomberg, que diz ter contactado o Ministério da Defesa cinco vezes, não foi possível obter uma estimativa acerca dos custos das festividades junto do gabinete do ministro Panos Kammenos, ministro nacionalista que recentemente ameaçou “inundar” Berlim de jihadistas caso a Europa não ceda nas negociações com Atenas. Sem mais dinheiro da UE, a Grécia só aguenta até dia 20 de abril, disse terça-feira uma fonte próxima do processo à Reuters. Aí, os “cofres” de Atenas ficam completamente vazios e deixa de haver alternativas como a tesouraria de empresas e fundos públicos.

Participam na cerimónia o Presidente da República, Prokopis Pavlopoulos, bem como o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, e a presidente do Parlamento, Zoi Konstantopoulou. Estes responsáveis verão as celebrações a partir do Túmulo do Soldado Desconhecido. Ao contrário do que aconteceu nos anos recentes, não há quaisquer barras de metal a proteger a parte central do monumento. Além de militares, também polícias e bombeiros participam nas marchas.

A boy dressed in Greek traditional costume holds a Greek flag, as he watches the student parade on the eve of Greece's Independence day, commemorating the 1821 start of the war against the Ottoman rule on March 24, 2015.  AFP PHOTO/ LOUISA GOULIAMAKI        (Photo credit should read LOUISA GOULIAMAKI/AFP/Getty Images)

As celebrações do Dia da Independência já começaram na terça-feira. (LOUISA GOULIAMAKI/AFP/Getty Images)

As celebrações em Atenas ocorrem no mesmo dia em que a cúpula do Banco Central Europeu (BCE) faz nova teleconferência para decidir se promove mais um aumento do limite máximo do recurso dos bancos gregos à liquidez de emergência, resposta à contínua fuga de depósitos. Esse limite, que ronda os 70 mil milhões de euros, tem sido aumentado em doses cada vez mais pequenas e foi noticiado que, no último aumento, o BCE resistiu ao pedido do governo grego e aumentou o limite em apenas metade do que Alexis Tsipras e Yanis Varoufakis queriam.

Ao mesmo tempo, decorrem as negociações técnicas entre equipas do BCE, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional (FMI) com o governo de Atenas, para definir o conjunto de reformas com o qual Alexis Tsipras espera obter a “luz verde” do Eurogrupo para o desembolso, pelo menos parcial, da tranche financeira que está pendente.

Greek Prime Minister Alexis Tsipras (R) talks with German journalist Lea Rosh (L), who is at the origin of the Memorial to the Murdered Jews of Europe aka Holocaust Memorial during its visit in Berlin on March 24, 2015. Tspiras is making his first visit to the German capital since taking office in January 2015.   AFP PHOTO / TOBIAS SCHWARZ        (Photo credit should read TOBIAS SCHWARZ/AFP/Getty Images)

A participação nas comemorações do Dia da Independência é o primeiro ato público de Alexis Tsipras desde a visita a Berlim, na segunda-feira. (TOBIAS SCHWARZ/AFP/Getty Images)