Viagens

15 coisas para fazer em São Miguel, nos Açores

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Com os voos para São Miguel mais baratos depois da chegada das low cost, sugerimos-lhe como passar o tempo assim que aterrar na ilha.

No Miradouro do Pico da Barrosa pode subir acima das nuvens.

© Ana Dias Ferreira / Observador

1. Apanhe o barco e vá ver baleias

Aviso à navegação: pode não chegar a vê-las e o barco de fibra por vezes salta mais do que os golfinhos que, esses sim, aparecem quase sempre para cumprimentar os curiosos. Mas se abraçar a aventura, vai ter uma experiência para nunca mais esquecer (além de um certificado com as espécies avistadas, que pode emoldurar como um diploma). Há vários passeios para observação de cetáceos a operar a partir da marginal de Ponta Delgada, entre os quais o da Picos de Aventura, no Hotel Marina Atlântico. Hugo Mendes, biólogo marinho, é um dos guias que seguem nas embarcações, e garante: “De 84 espécies conhecidas no mundo, 24 espécies de cetáceos podem ser vistas nos Açores, da baleia azul (mais habitual na primavera) aos cachalotes e roazes, residentes todo o ano.” A empresa tem vários vigias espalhados pelos pontos altos da costa que vão comunicando com o barco para indicar onde andam os animais. Se tiver sorte e avistar cachalotes, pode apanhar um autêntico postal dos Açores — a célebre cauda fora do mar. “Costumamos dizer aos nossos clientes que é o momento da fotografia mas também do adeus, porque significa que o cachalote está a arquear a cauda para fazer um mergulho profundo”, diz o biólogo. “Descem para caçar e ficam lá em baixo cerca de 50 minutos.” Preço: 55€ duas horas e meia (40€ dos 4 aos 11 anos).

O momento da fotografia (e do adeus). / © Ana Dias Ferreira / Observador

O momento da fotografia (e do adeus). © Ana Dias Ferreira / Observador

2. Veja como se fazem as Cerâmicas Vieira

A porta está aberta e lá dentro ainda giram as velhas rodas de oleiro e as louças são pintadas por mãos que não tremem. É assim desde 1862, ano em que foram fundadas as Cerâmicas Vieira, também conhecidas como a Vista Alegre dos Açores. À beira da estrada, na Lagoa, a fábrica atrai turistas com os seus pombos de loiça nos telhados, e é possível visitar meia dúzia de salas, da olaria à vidragem, passando pela pintura e, claro, a loja. António Vieira, 84 anos, é a quarta geração à frente da marca. Se surpreender algum dos oito funcionários a partir pratos no quintal, não pense que é terapia depois de uma discussão com o patrão: é uma triagem que separa as louças que saem rachadas do forno. Rua das Alminhas, 10/12, Lagoa.

© Ana Dias Ferreira / Observador

3. Abra a boca numa vista digna de rei

Paisagens bonitas não faltam nos Açores, e até os olhos mais míopes apanham quadros que conseguem juntar terra, mar, montanhas, crateras, água e vegetação na mesma moldura. Uma das melhores vistas é a da Lagoa das Sete Cidades, o maior reservatório de água doce do arquipélago, conhecido pelas lagoas gémeas que, diz a lenda, nasceram das lágrimas de um pastor e de uma princesa que viviam um amor proibido. Devido aos reflexos, uma é azul e outra verde, e há várias atividades que se podem fazer no local, da canoagem aos percursos pedestres, passando pelo stand up paddle, a observação de aves e os passeios todo o terreno. Para ter uma panorâmica geral de uma das sete maravilhas naturais de Portugal, suba até à Vista do Rei, um dos cinco miradouros da lagoa, assim batizado depois de uma visita de D. Carlos I, que reconheceu o que via como digno da realeza.

A Vista do Rei sobre a Lagoa das Sete Cidades. © Ana Dias Ferreira / Observador

A Vista do Rei sobre a Lagoa das Sete Cidades. © Ana Dias Ferreira / Observador

4. Seja caloiro na Caloura

Muitas localidades denunciam o caráter vulcânico dos Açores, das Furnas ao Caldeirão do Corvo, passando pela Caldeira Velha e a Lagoa do Fogo. A Caloura é mais uma, sendo que o nome vem de “zona onde se acumula o calor”. Para aproveitar o microclima da região com o metro quadrado mais caro de São Miguel — uma espécie de Estoril açoriano — uma boa opção é o Caloura Hotel Resort, com acesso direto ao mar e às piscinas naturais de rocha vulcânica. Também tem um ótimo restaurante para comer peixe grelhado no pequeno porto de pescadores, o Bar Esplanada Porto da Caloura, mas prepare-se para as filas no verão.

Caloura Hotel

© Imagem retirada do site do Caloura Hotel Resort

5. Mergulhe do alto do ilhéu de Vila Franca

Mesmo numa ilha, há quem tire o dia para ir a um ilhéu. Os motivos são uma lagoa secreta e um ótimo lugar para mergulhar, escolhido pelo Red Bull Cliff Diving para as provas de salto para a água no final de julho. O ilhéu de Vila Franca é um vestígio de um cone vulcânico e, embora não tenha areia, é um dos locais de eleição dos açorianos que apanham o barco que faz a travessia (3€) e se sentam nos rochedos a ver as crianças nadar na lagoa salgada que se esconde no meio.

VILA FRANCA DO CAMPO, PORTUGAL - JULY 26: (EDITORIAL USE ONLY) In this handout image provided by Red Bull, David Colturi of the USA dives from the 27 metre platform on Islet Vila Franca do Campo during the fifth stop of the Red Bull Cliff Diving World Series, Azores, Portugal. (Photo by Romina Amato/Red Bull via Getty Images)

Uma das provas da Red Bull. © Romina Amato/Getty Images

6. Prove o famoso cozido das Furnas

“Se precisasse de fazer um estudo de quantas pessoas visitam São Miguel, bastava sentar-me com um banquinho à entrada da Lagoa das Furnas”, diz Rui Amen, do Turismo dos Açores. O mesmo banquinho pode dar jeito para aguardar por aquele que é outro dos ex-líbris da ilha: o cozido feito com o calor da terra, em caldeiras guardadas por profissionais como João Pacheco, de 58 anos, que vai para o local às quatro da manhã tomar conta dos buracos e dos cerca de 15 panelões diários. Desde março, paga-se três euros para usar um dos buracos e 50 cêntimos para visitar o local, para além do estacionamento. Mas como o dito cozido demora pelo menos seis horas até ficar pronto, mais vale deixar o assunto por conta de um restaurante, reservando previamente. Há vários que servem a especialidade no centro das Furnas, recolhida com uma carrinha no vale. É o caso do Terra Nostra Garden Hotel, um hotel dos anos 30 que foi recuperado recentemente e que o serve num menu que fica a 24 euros por pessoa.

O cozido das Furnas, acabado de tirar do buraco. / © Ana Dias Ferreira / Observador

O cozido das Furnas, acabado de tirar do buraco. © Ana Dias Ferreira / Observador

7. Tome banho num tanque castanho e com água a ferver

Ir ao Parque Terra Nostra (Rua Pe. José Jacinto Botelho, Furnas) é não só poder ver mais de 350 variedades de camélias e plantas dentro de gaiolas — são sicas, valiosas e por isso alvo de contrabando –, mas ainda nadar num enorme tanque ao ar livre. A água é castanha mas isso explica-se pelas suas propriedades termais, ricas em ferro. Convém levar um fato de banho pelo qual não tenha grande apreço e não ser encalorado: os 12 mil litros que saem por hora dos jatos podem chegar aos 42 graus. Preços: 5€ (adultos), 2,50€ (crianças); grátis para os hóspedes do Terra Nostra Garden Hotel, 20% de desconto para os clientes do restaurante.

O tanque termal fica no meio do parque. / © Ana Dias Ferreira / Observador

O tanque termal fica no meio do jardim, detido pela família Bensaude. © Ana Dias Ferreira / Observador

8. Beba água azeda

Pode não parecer um grande programa mas ir às Furnas e não ver as nascentes é como visitar as Berlengas e não sair do barco. A localidade está cheia de evidências secundárias do vulcanismo, das fumarolas às águas termais, passando pelo cheiro a enxofre e pelas caldeiras aquecidas por magma vulcânico que parecem jacuzzis naturais e onde os locais aproveitam para cozer maçarocas de milho e até ovos. Há 28 tipos de águas minero-medicinais na estância termal, e isto significa que lado a lado há fontes de água fria e morna, lisa ou naturalmente gaseificada. Os açorianos recolhem-nas em garrafões com o fundo pintado de cor de laranja pelo ferro, e há uma fonte de água azeda muito popular para curar a ressaca.

Até a pedra fica laranja, por causa do ferro. / © Ana Dias Ferreira / Observador

Até a pedra fica laranja, por causa do ferro. © Ana Dias Ferreira / Observador

9. Descubra a arte urbana espalhada pela ilha

Do stencil pequeno às grandes fachadas, a street art tem vindo a colorir as ruas de São Miguel graças ao Walk & Talk, um festival de arte pública que se realiza todos os verões desde 2011 a partir de residências artísticas que criam ligações entre as obras e o local. Nomes como Vhils, Mark Jenkins, MAR, Mariana a Miserável, Paulo Arraiano e Eime podem ser vistos um pouco por toda a ilha, do centro de Ponta Delgada à vila de Rabo de Peixe.

10. Troque o pão pelo bolo lêvedo

Não vale a pena alimentar a rivalidade entre os Açores e a Madeira dizendo que o bolo lêvedo é uma espécie de bolo do caco. O que vale a pena é comê-lo a todas as horas do dia e passar pela casa Glória Moniz (Rua Victor Manuel Rodrigues, 16, Furnas), para trazer um carregamento no regresso. Maria da Glória não quis desvendar ao Observador o segredo para o pão ser tão fofo e durar tanto tempo, apenas revela os ingredientes: farinha de trigo tipo 65, ovos, açúcar, leite, manteiga, sal e fermento. Pode comê-lo simples ou como sanduíche. Fica uma maravilha aquecido ou torrado. Preço: 1€

Nas Furnas, siga esta placa. / © Ana Dias Ferreira / Observador

Nas Furnas, siga esta placa. © Ana Dias Ferreira / Observador

11. Ponha a cabeça debaixo de uma cascata

Tem várias à escolha, mas aponte estas duas: Caldeira Velha, que tem água quente rica em ferro e fica na encosta da Serra de Água de Pau, e Salto do Prego, no Sanguinho, uma localidade menos conhecida no Nordeste da ilha de São Miguel.

12. Visite a fábrica de Chá da Gorreana

Primeiro iam ver a tecnologia, agora vão ver um museu vivo. A fábrica da Gorreana está aberta desde 1883 a quem a quiser visitar e mostra todo o processo de fabrico do chá desde a plantação das folhas de camélia — 40 hectares de encostas cheias de verde – à selagem dos pacotes coloridos. “Desde o princípio foi assim”, conta Madalena Mota, filha da atual proprietária, Margarida Hintze. “No início do século XX, esta fábrica teve energia elétrica antes do resto da ilha e havia excursões par vir ver a luz. O meu bisavô percebeu que ao visitarem a fábrica as pessoas levavam-na consigo, e desde aí sempre quisemos ter uma casa aberta, e talvez por isso fomos os únicos que nunca fechámos.” As visitas são gratuitas, assim como as provas no final. Na loja, pode comprar o verdadeiro souvenir açoriano.

A sala de secagem, onde as folhas perdem 70% da água. / © Ana Dias Ferreira / Observador

A sala de secagem, onde as folhas perdem 70% da água. © Ana Dias Ferreira / Observador

13. Suba acima das nuvens (e da Lagoa do Fogo)

A Lagoa do Fogo fica no que se chama uma caldeira de colapso, uma cratera com mais de um quilómetro de diâmetro. Reserva natural desde 1974, tem 30 metros de profundidade e vários trilhos pedestres à volta. Se for para baixo, mergulhe, se for para cima, suba tudo até ao Miradouro do Pico da Barrosa. A 900 metros, vai ver as nuvens como se estivesse num avião.

A Lagoa do Fogo.

© Ana Dias Ferreira

14. Veja como cresce o ananás

Presença obrigatória em todos os restaurantes e até usado para licores, compotas e cheesecakes, o ananás é outro dos produtos locais dos Açores onde os curiosos são bem-vindos. Há empresas que têm as portas abertas e desvendam as artes da produção, como a ProFrutos, que tem duas dezenas de estufas — mais baixas do que o habitual, para responder às características da região — onde os frutos, “naturalmente coroados”, demoram dois anos até se poderem comer.

Ananás dos Açores no Furnas Boutique Hotel. © Ana Dias Ferreira / Observador

Ananás dos Açores no Furnas Boutique Hotel. © Ana Dias Ferreira / Observador

15. Conheça o Arquipélago dentro do arquipélago

Inaugurado no dia em que a Easyjet passou a voar para São Miguel, 29 de março, o Arquipélago é o novo centro de artes contemporâneas da ilha. Construído a partir da antiga Fábrica do Álcool, vale a pena ser visitado pelo próprio edifício, um misto de branco e pedra vulcânica onde ainda se avistam chaminés. O projeto arquitetónico ficou a cargo do atelier Menos é Mais e do arquiteto João Mendes Ribeiro, e lá dentro há ainda um auditório. Um centro cultural com vista para outro tipo de espetáculo: o campo da bola. Rua Adolfo de Medeiros, 40, Ribeira Grande.

O Observador viajou para os Açores a convite da Easyjet.

O título do artigo foi alterado para responder às sugestões dos leitores.

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