Termina esta sexta-feira o prazo de entrega das propostas vinculativas para a compra da TAP. Os potenciais compradores têm até às 17 horas de hoje para apresentarem uma proposta ao Governo, que terá cerca de mês e meio para anunciar se avança ou não com a privatização da companhia.

Na corrida estão, muito provavelmente, o norte-americano David Neeleman e o empresário brasileiro de ascendência polaca Germán Efromovich. Ambos respondem a uma das principais exigências do caderno de encargos — a experiência técnica no sector da aviação. Por confirmar está ainda a intenção de compra por parte de Miguel Pais do Amaral. Apesar das notícias que dão conta de uma possível desistência, o investidor que continua a dizer que “está tudo em aberto”.

David Neeleman

David Neeleman é dono e fundador da transportadora aérea brasileira Azul. Empresário norte-americano nascido no Brasil, mostrou-se desde cedo interessado em adquirir a companhia a companhia portuguesa. Já em 2012 tinha sido apontado com um dos potenciais candidatos à compra da TAP, chegando mesmo a ser incluído na lista de interessados na M&M Brasil, uma unidade de manutenção de aviões com bases no Rio de Janeiro e em Porto Alegre, no Brasil, e que pertence ao grupo TAP.

Para além da Azul, foi fundador de outras três companhias aéreas — a Morris Air e a JetBlue, dos Estados Unidos da América, e a canadiana WestJet. É considerado um dos mais importantes empreendedores na área da aviação, tendo ficado conhecido por ter sido o criador de vários projetos inovadores, como o e-ticket.

Neeleman, que deverá apresentar uma proposta através da holding pessoal DGN, ainda não fechou uma posição com a portuguesa Barraqueiro, cujo interesse foi anunciado no início desta semana.

Na terça-feira, foi noticiado que a Barraqueiro tinha unido esforços com Neeleman com a intenção de fazer uma proposta de compra de até 66%. De acordo com o Diário Económico, o consórcio já teria garantido um capital de 300 a 350 milhões de euros. “o mínimo para garantir o processo de capitalização” da companhia aérea pelo Governo. Até à data, Humberto Pedroso, presidente da Barraqueiro, ainda não confirmou a ligação ao empresário norte-americano.

Segundo avança o Jornal de Negócios desta sexta-feira, Neeleman pretende reforçar os destinos para onde a TAP voa atualmente, caso adquira a companhia. Outra das suas propostas passa por aumentar a frota e distribuir anualmente 10% dos lucros da empresa aos trabalhadores.

Germán Efromovich

Gérman Efromovich foi o único candidato à compra da TAP em 2012. Na altura viu a sua proposta ser recusada pela ausência de garantias bancárias que permitissem assegurar o refinanciamento da dívida da companhia. É acionista maioritário do gurpo sul-americano Avianca e deverá entrar na corrida através do grupo Synergy, de que é proprietário.

Miguel Pais do Amaral

Outro dos potenciais comprados da TAP é o empresário português Miguel Pais do Amaral que, até ao momento, continua a dizer “que tudo está em aberto”.

Pais do Amaral, presidente do conselho de administração da Media Capital, foi um dos primeiros a anunciar publicamente o interesse na compra da TAP, em parceria com o norte-americano Frank Lorenzo. Em julho do ano passado, em entrevista ao Dinheiro Vivo, referiu que o objetivo era ficar no negócio depois da privatização. “A nossa proposta passa por formar um núcleo investidor que siga a estratégia presente da companhia aérea portuguesa, que tem sido uma estratégia de sucesso e crescimento”, disse na altura.

No início deste ano, revelou alguns pormenores em relação à compra da TAP, que incluem uma eventual entrada para a bolsa, refere o Público.

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Infografia: Milton Cappelleti

Apollo Global Manager, Cerberus e Greybull

Na lista dos interessados, estão ainda três fundos de investimento — a Apollo Global Manager, a Cerberus e a Greybull. Apesar de terem assinado o acordo de confidencialidade, que lhes permitiu o acesso ao “data room” da privatização, desconhecem-se em que moldes será feito o investimento – ou sequer se entregam propostas formais e se avançarão sozinhas ou integradas nas propostas de outros interessados. Dos três fundos, a Greybull é que se encontra mais bem posicionada. Em 2014, adquiriu a low-cost britânica Monarch, que foi alvo de uma profunda reestruturação.

No lote de empresas que acederam ao data room, encontra-se ainda a transportadora aérea brasileira Gol, a segunda maior do país. De acordo com o Público, não tem havido registos de novas interações com o Governo ou de tentativas de ultimar uma oferta de compra.