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Indústria Farmacêutica

Médicos eram pagos para prescrever medicamentos da Bial

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A Bial não foi constituída arguida, mas sim uma empresa de estudos de mercado, que pagaria aos clínicos pelas receitas. Nenhum médico foi constituído arguido, mas tal pode acontecer nos próximos dias.

Getty Images

As autoridades suspeitam que vários médicos foram pagos para passar receitas de medicamentos da farmacêutica Bial, recebendo em troca vales de compras. De acordo com o Jornal de Notícias, estas foram as principais conclusões das 24 buscas iniciadas na quarta-feira em instalações da Bial.

Na quarta-feira foi lançada em todo o país uma megaoperação de combate à corrupção e à fraude no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Em causa estavam “suspeitas dos crimes de corrupção ativa e passiva, burla qualificada e falsificação de documentos” e a investigação visou “entre outras, matérias relacionadas com pagamentos efetuados a título de estudos científicos mas que se reportariam à prescrição de fármacos”, informou a Procuradoria-Geral da República, através de comunicado.

De acordo com o Jornal de Notícias, em várias das 24 buscas efetuadas pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária foram encontrados cartões associados a dois hipermercados, com crédito de mil euros para compras, e já com alguns nomes de médicos inseridos. A investigação considera existirem indícios de que esta será uma forma de pagamento aos clínicos, como contrapartida pelas receitas.

A investigação, nascida com informação reunida no processo “Remédio Santo“, durou três anos e incluiu escutas telefónicas, vigilâncias e a colaboração de um ex-delegado de informação médica da Bial. A operação iniciada ontem serviu para procurar documentação que pudesse relacionar elementos de topo da Bial com o alegado patrocínio de pagamentos ilegais a médicos.

No mesmo comunicado, o Ministério Público informou que foram constituídos “17 arguidos, 16 pessoas singulares e uma pessoa coletiva” e que “a Bial não se encontra entre os arguidos constituídos”. As 16 pessoas singulares são todas delegados de propaganda médica da Bial. A “pessoa coletiva” em causa será uma empresa de estudos de mercado através da qual os médicos eram pagos para passar os medicamentos. Recebiam depois o pagamento pela sua alegada participação em estudos da empresa. Nenhum clínico foi constituído arguido, mas tal pode acontecer nos próximos dias.

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