A primeira exposição monográfica de Adriano de Sousa Lopes, “um dos primeiros artistas portugueses a adotar práticas impressionistas”, é inaugurada esta sexta-feira, no Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado (MNAC-MC), em Lisboa.

Denominada “Sousa Lopes 1879-1944. Efeitos de luz”, a mostra apresenta “cerca de cem obras significativas das fases fundamentais” do artista, “entre as quais algumas pinturas inéditas pertencentes ao Musée de l’Armée de Paris”, feitas em cenários de guerra, “fundamentais para a compreensão do entendimento sensível e do expressivo realismo deste autor”, segundo a curadora da mostra, Maria de Aires Silveira.

O pintor “começa por se interessar por fantasiosas narrativas lendárias e por momentos épicos da História de Portugal, inspirando-se em estéticas simbolistas, mas deixa-se seduzir pelos impressionismos e por artistas como [Claude] Monet e [Paul-Albert] Besnard, em Paris”, no início do século XX, como se lê no texto de apresentação, assinado por Maria de Aires Silveira, conservadora do museu.

Na altura, Sousa Lopes viajava por museus e cidades da Europa, acabando por adquirir “uma cultura artística invulgar”, com impacto, sobretudo, “na produção de uma longa série de obras realizadas em Veneza”, como destaca a curadora.

O pintor, nascido em 1879, viveu na capital francesa desde 1903 até finais dos anos de 1920, expondo com regularidade no Salon de Paris e no Grand Palais.

Em 1917, pouco depois da sua primeira exposição individual em Lisboa, durante a Grande Guerra de 1914-18, alistou-se como artista oficial do Corpo Expedicionário Português, tendo testemunhado episódios dramáticos e paisagens devastadas, que retratou “em notáveis gravuras a água-forte, comoventes desenhos e trágicas pinturas”, como recorda Maria de Aires Silveira.

Terminado o conflito, aceitou encomendas oficiais portuguesas, como a série de pinturas monumentais do acervo do Museu Militar de Lisboa, entre as quais se encontra “A rendição”, na qual retrata o desalento de soldados abandonando a trincheira, demonstração do “realismo expressivo” do pintor.

Nos anos de 1920, o núcleo de pinturas que fez de Marguerite Gros, sua mulher, assegurou-lhe “um lugar original como retratista de imagens no feminino, no centro do modernismo português, embora sem o integrar”, sublinha o texto da exposição.

“É neste período que Sousa Lopes constrói séries impressivas de luz, em diferentes fases do dia, explorando a representação do movimento das ondas, assim como a faina dos pescadores, em enquadramentos escolhidos – são paisagens do litoral português, entre as praias da Caparica, Nazaré, Aveiro e Furadouro”, escreve a curadora.

No final da década de 1920, Sousa Lopes acabou por se fixar em Lisboa, onde assumiu a direção do Museu Nacional de Arte Contemporânea, de 1929 a 1944, sucedendo a Columbano Bordalo Pinheiro.

A ampliação do museu, só agora em curso, e uma política de aquisições que privilegiasse, pela primeira vez, a incorporação de autores modernistas, além de núcleos oitocentistas, estiveram entre as preocupações do pintor, enquanto diretor do MNAC, recorda a conservadora do museu.

Sousa Lopes morreu em 1944, pouco depois de completar o painel dedicado ao Infante D. Henrique, no Salão Nobre do Palácio de São Bento.

A exposição, com curadoria de Maria de Aires Silveira e Carlos Silveira, do Instituto de História de Arte da Universidade Nova de Lisboa, é inaugurada esta sexta-feira, ao fim da tarde, e fica patente ao público, a partir de sábado, 18 de julho, até 08 de novembro, no edifício principal do MNAC-MC, na rua Serpa Pinto, em Lisboa.