Está lançada a estreia em bolsa da Ferrari. A dona da marca lendária de automóveis, a FiatChrysler, arrancou esta quinta-feira com o processo de registo na Bolsa de Nova Iorque que tornará possível ser dono de parte da empresa fundada por Enzo Ferrari. Comprar ações na estreia em bolsa, prevista para outubro, não será fácil para o investidor comum – isso é uma certeza. O que não se sabe, ainda, é se uma ação da Ferrari será mais barata do que um exemplar dos carros desportivos de luxo produzidos pela marca.

O primeiro registo entregue junto da New York Stock Exchange não indica quantas ações serão colocadas no mercado nem, portanto, qual será o preço de cada uma. O que se sabe, para já, é que a FiatChrysler planeia dispersar em bolsa apenas 10% do capital, o que torna provável que os bancos responsáveis pela gestão da operação bolsista não tenham quaisquer problemas em escoar as ações. Aponta-se para um encaixe real de 100 milhões de dólares, mas esse valor poderá muito bem escalar à medida que a operação se aproxima.

A cotação do capital da Ferrari em bolsa enquadra-se na estratégia de Sergio Marchionne, presidente da FiatChrysler, de tornar a Ferrari uma marca autónoma ao mesmo tempo que realiza um encaixe útil para reduzir a dívida da casa-mãe e para financiar o investimento em marcas como a Jeep e a Alfa Romeo.

Além desses 10% que vão para a bolsa, o plano de Marchionne passa pela entrega de 80% do capital a investidores atuais na FiatChrysler. Piero Ferrari, filho do fundador Enzo Ferrari, tem os restantes 10% do capital, segundo a Bloomberg.

Sendo certo que será muito difícil para os investidores comuns terem acesso ao pequeno lote de ações que vai ser vendido, mesmo investidores norte-americanos, os analistas irão ao longo dos próximos meses escrutinar as contas da Ferrari para determinar se o investimento nesta nova empresa poderá ser rentável ou se valerá apenas por se poder dizer dono de uma parte da marca lendária.

“Não será uma operação difícil [a concretizar a estreia em bolsa]. Quem me dera que fossem todas as assim [as operações na bolsa]”, afirmou em fevereiro à Bloomberg Sergio Marchionne, confirmando, na altura, a intenção de cotar o capital da Ferrari em bolsa. “Vamos ter atenção ao tipo de base de investidores que queremos construir mas, depois disso, é provável que todas as ações estejam vendidas antes de nos sentarmos para comer o bagel do pequeno-almoço”, acrescentou o italiano.