A bolsa de Xangai teve esta segunda-feira a sessão mais “negra” desde fevereiro de 2007, segundo a Bloomberg, com um indicador económico a relançar as dúvidas entre os investidores sobre a capacidade do governo de cumprir as metas de crescimento económico e de estancar a quebra nas bolsas. Depois de uma semana relativamente calma, a turbulência parece estar de regresso.

O índice Shanghai Composite da bolsa de Xangai desceu 8,5% esta segunda-feira e o índice das empresas cotadas em Hong Kong caía 4,4% perto do final da sessão. As fortes quedas nas ações chinesas, que estão a gerar alguma preocupação entre os investidores mundiais por se tratar da segunda maior economia do mundo e um “motor” importante para o crescimento global, surgiram depois da divulgação de um indicador pouco animador sobre os lucros do setor industrial.  

Acabou-se a calma (relativa)? Bolsa chinesa volta às quedas

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Bolsa chinesa anula uma parte cada vez maior dos ganhos do último ano. Fonte: Bloomberg

O gabinete oficial de estatísticas do governo chinês indicou que os lucros do setor industrial caíram 0,3% em junho, na comparação homóloga, o que “lançou um balde de água fria sobre a confiança dos investidores”, disse à Bloomberg um analista da Okasan Securities em Hong Kong.

Depois das fortes quedas de junho e início de julho (ilustradas no gráfico acima), a bolsa chinesa tinha recuperado 16% face aos mínimos tocados a 8 de julho, depois de as autoridades terem lançado várias medidas de estímulo económico e de contenção da queda das bolsas. O governo tomou medidas como permitir que 1.400 empresas congelassem a negociação bolsista, impedir os acionistas de referência de venderem as suas participações e impedir que novas empresas chegassem à bolsa nesta fase.

Mas, apesar dessas medidas, que o FMI recomendou que o governo chinês descontinue o mais rapidamente possível, os investidores receiam que o governo chinês não consiga atingir o objetivo de um crescimento de “cerca de 7%” que foi definido em março.

China cai, matérias-primas vão atrás

A incerteza em torno da China, de onde já chegam relatos de dificuldades operacionais nas empresas de menor dimensão, está a arrastar consigo os preços das matérias-primas energéticas e industriais.

Os preços dos metais-base estão a negociar nos níveis mais baixos dos últimos anos, com o cobre, por exemplo, a negociar ao preço mais baixo desde 2009. E, também, o preço do ouro tem negociado ao valor mais baixo dos últimos cinco anos.

A razão por que isto acontece é que a China usa grandes quantidades destas matérias-primas, sendo um importante comprador líquido destes produtos. Segundo uma análise recente do UBS, a China é responsável por quase metade de toda a procura mundial por aço, cobre, níquel e alumínio. A importância da China para o minério de ferro, cujo preço tem estado em forte queda este ano, é ainda maior: 60%.