A presidente do Conselho Português para os Refugiados (CPR), Teresa Tito Morais, considerou um “sinal positivo” Portugal acolher 1.400 refugiados, mas defendeu que o país tem de preparar rapidamente uma estrutura para receber estas pessoas.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse que Portugal deverá acolher 1.400 refugiados concentrados na Grécia e no sul de Itália.

“O valor que tem estado em cima da mesa e que tem nesta altura a nossa concordância é pouco mais de 1.400 [refugiados], mas seja como for, o nosso objetivo é encerrar esta discussão de forma a resolver o problema”, declarou o primeiro-ministro em Málaga (Espanha).

Em declarações á agência Lusa, Teresa Tito Morais considerou “um sinal positivo que haja uma abertura da parte do Governo português de acolher o maior número possível de refugiados que estão com necessidades”, no âmbito de uma partilha de responsabilidades com os outros estados europeus, nomeadamente a Grécia e a Itália que estão a sofrer uma pressão migratória mais intensa.

É preciso que “todos os estados demonstrem uma vontade política e que concretizem essa vontade política dentro do mais curto espaço de tempo”, sublinhou.

“Portugal tem esse dever ético e moral e tem que preparar, quanto mais depressa melhor, toda uma estrutura de receção que favoreça a chegada dessas pessoas e posteriormente a sua integração”, defendeu.

Teresa Tito Morais explicou que a preparação desta estrutura passará pela descentralização, sensibilizando distritos do país que “possam ter um papel mobilizador e um papel que conduza à integração dessas pessoas”.

“Nesse sentido, o Conselho Português para os Refugiados e eu própria estamos muito preocupados com um certo atraso nesta operacionalização preparatória para o acolhimento destas pessoas”, sublinhou.

Questionada sobre as razões desta preocupação, a presidente do CPR explicou que se deve a situações que têm ocorrido com casos de reinstalados.

“Embora Portugal se comprometa a receber 30 ou 45 refugiados por ano, na prática, por impedimentos que nos são alheios, acabam por chegar menos e por demorar muito tempo a tramitação destas chegadas”, lamentou.

“Daí que este anúncio é obviamente um sinal positivo, mas eu gostaria que, na prática, se concretizasse e que também rapidamente nos pudéssemos articular com os centros distritais da Segurança Social, com as autarquias de modo a estarmos preparados para a chegada destas pessoas”, reiterou.

A 26 de junho, no final do Conselho Europeu em Bruxelas, o primeiro-ministro tinha dito que Portugal defendeu um ajustamento dos critérios que indicam que o país deveria acolher 2.400 pessoas.

Passos Coelho disse que “não é verdade que haja uma diminuição [do número de refugiados que Portugal deverá receber]. O que houve foi um trabalho feito na base voluntária entre todos os Estados para tentar atingir um volume global da União Europeia de recolocação e reinstalação de cerca de 50.000 imigrantes”.