Era quase inevitável. Pela primeira vez na história do país, Porto Rico falhou o pagamento da dívida aos credores. Esta segunda-feira, e depois de as obrigações terem atingido a maturidade no primeiro dia de agosto, a agência governamental porto-riquenha Public Finance Corporation entregou apenas 628 mil dólares dos 58 milhões que teria de pagar.

A notícia, avançada por vários órgãos de comunicação social internacionais, que citam um comunicado assinado por Melba Acosta, presidente do Banco de Desenvolvimento do Governo [de Porto Rico], acaba por confirmar o que o governador Alejandro Garcia Padillo já tinha dito em abril: “A dívida [porto-riquenha] não é pagável” e não havia “outra opção” ou uma “opção mais fácil” que não fosse o incumprimento. “Isto não é política, é matemática”, reforçou, na altura em entrevista ao New York Times. A dívida de Porto Rico equivale a 72 mil milhões de dólares, 62 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual.

Como recupera o jornal britânico The Guardian, o arquipélago de Porto Rico, cuja soberania está sob responsabilidade dos Estados Unidos da América – apesar de ser um país autónomo – tem uma taxa de desemprego de 12% , mais do dobro da média dos EUA que se cifra nos 5,3%. Com uma população de 3,6 milhões de habitantes, os porto-riquenhos têm uma dívida que ultrapassa a dos Estados da Califórnia ou de Nova Iorque.

Na altura, e apesar de todos os apelos de Garcia Padillo, a Casa Branca foi taxativa ao dizer que um resgate federal estava fora de questão. “Não há ninguém na administração ou em Washington que esteja a considerar uma ajuda federal a Porto Rico”, garantiu então o porta-voz do governo norte-americano, Josh Earnest. “Mas continuamos empenhados em trabalhar com Porto Rico e com os seus líderes, dado que eles enfrentam desafios sérios”.

Entretanto, o governo porto-riquenho já contratou uma equipa para encontrar a solução possível. Liderada por uma ex-dirigente do FMI, Anne Krueger, o grupo de especialistas já traçou duas prioridades: reestruturação da dívida e a redução drástica de salários, prestações sociais e despesa pública.

Nos últimos meses, conta ainda o Guardian, mais de 100 escolas já fecharam e a situação pode tornar-se ainda mais dramática nas próximas semanas: o país está a passar por uma grave seca que já obrigou ao racionamento de água, explica a CNN.