A Comissão Interamericana dos Direitos Humanos (CIDH) condenou na sexta-feira o homicídio de 18 pessoas do estado brasileiro de São Paulo, em 11 locais distintos, num só dia, e instou o país a punir os responsáveis.

A 13 de agosto de 2015, 18 pessoas morreram e seis ficaram feridas em ataques por pessoas armadas em 11 sítios do estado de São Paulo, no espaço temporal de três horas, segundo informações da CIDH, um organismo autónomo da Organização de Estados Americanos (OEA), com sede em Washington.

De acordo com testemunhos e gravações das câmaras de videovigilância, um grupo de pessoas armadas deslocou-se de carro de um lugar para o outro, perguntou às vítimas sobre antecedentes criminais e disparou contra os que responderam que os tinham.

Segundo as autoridades, o mesmo veículo foi visto em vários locais onde ocorreram os crimes.

A CIDH informou que uma das linhas de investigação é “a possível responsabilidade de membros da polícia militar, no que teria sido uma alegada represália pelo assassinato de um polícia militar dias antes”.

Segundo dados oficiais, 56 pessoas foram mortas em massacres em São Paulo este ano, um aumento em relação a 2014 quando se registaram 49 mortes em todo o ano.

Segundo uma reportagem da SPTV, com base em números oficiais conseguidos através da Lei de Acesso à Informação, em 2014 um em cada cinco homicídios ocorridos em São Paulo foram perpetrados pela polícia, indica a CIDH.

A CIDH instou o Estado brasileiro a continuar as investigações iniciadas de maneira “pronta, objetiva e imparcial” e a seguir “todas as linhas lógicas de investigação”, incluindo a hipótese de os possíveis autores terem sido agentes das forças de segurança.

A investigação “deve esclarecer as causas que conduziram a este graves atos de violência, identificar, processar e punir os autores materiais e intelectuais e satisfazer as expectativas de justiça das vítimas e seus familiares”.