A Associação S.O.S Rio Paiva denunciou hoje a existência de descargas de substâncias poluentes de uma ETAR neste curso de água, classificado como área protegida, e pediu medidas urgentes para que a lei seja cumprida.

“Em Vila Nova de Paiva, o rio Paiva foi transformado num esgoto a céu aberto, devido às descargas poluentes da Estação de Tratamento de Águas Residuais [ETAR] diretamente no rio”, refere a associação, em comunicado, recordando que continua o desenvolvimento de projetos turísticos nesta área, sem que estejam resolvidos os problemas de poluição.

Nos últimos meses, “temos visto muitas imagens que retratam a beleza do rio Paiva, mas o ‘rio mais limpo da Europa’ está seriamente ameaçado por descargas poluentes realizadas pelas autarquias a montante de Arouca: Castro Daire e Vila Nova de Paiva”, critica a associação.

Em visita ao local, no sábado, a S.O.S. Rio Paiva “verificou que o cenário no troço do rio Paiva a jusante da ETAR continua igual, com cheiros nauseabundos”, tendo comunicado a situação ao Serviço de Protecção da Natureza da GNR e demais autoridades.

Segundo o relato, o leito do rio está transformado num pântano de esgotos sem tratamento, dois quilómetros a montante de uma zona de lazer junto ao rio (Fráguas) frequentada por centenas de pessoas, situação que a S.O.S Rio Paiva considera “extremamente grave do ponto de vista da saúde pública”.

Também no concelho de Castro Daire “há problemas graves com as ETAR”, salienta a associação.

“Não podemos ignorar a existência de graves problemas de poluição neste rio que colocam em causa a sua conservação”, assim como a atividade turística e os investimentos realizados, realçam os ambientalistas, lamentando que “não exista a mesma disponibilidade financeira para eliminar os graves problemas que afetam o Paiva”.

As primeiras denúncias de poluição do rio Paiva registaram-se em 2009, segundo a organização e, em 2011, a GNR fiscalizou a ETAR e confirmou a existência de descargas poluentes, tendo mais tarde “o Ministério do Ambiente confirmado a existência de problemas” no funcionamento daquela estrutura.

Em dezembro de 2012, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) informou a associação S.O.S. Rio Paiva que “as análises realizadas ao efluente descarregado no Paiva cumpriam os valores de emissão legalmente previstos”.

O rio Paiva é um Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura 2000 e o Estado português tem a responsabilidade da sua proteção e conservação, recorda.

A agência Lusa pediu ao Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia um comentário acerca desta situação e aguarda a sua resposta.