Quase 8.000 pessoas foram mortas desde o início do conflito no leste da Ucrânia, em abril de 2014, segundo um novo balanço hoje divulgado pela ONU.

No total, 7.962 pessoas morreram e 17.811 ficaram feridas nos combates entre forças governamentais ucranianas e rebeldes separatistas pró-russos, anunciou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos no seu relatório atualizado trimestralmente.

O número de civis mortos aumentou nos últimos três meses devido aos bombardeamentos da linha da frente, sublinha-se no documento.

Entre 16 de maio e 15 de agosto, o número de vítimas duplicou em relação aos três meses precedentes: pelo menos 105 pessoas foram mortas e 308 feridas, ao passo que o balanço era de 60 mortos e 102 feridos entre fevereiro e maio, precisou o Alto Comissariado.

“A retirada das armas pesadas da linha de contacto entre os grupos armados (rebeldes) e as forças governamentais mantém-se parcial”, apontam os observadores da ONU.

A maioria das vítimas civis dos bombardeamentos registou-se nos territórios sob controlo dos separatistas, indica o relatório.

A situação continua a ser marcada por confrontos nas zonas de Donetsk e de Lugansk, alimentados pelo “afluxo contínuo de combatentes estrangeiros e de armas sofisticadas e de munições provenientes da Rússia”, acrescentam os autores do relatório.

O Alto Comissariado denuncia ainda o facto de a Rússia “ter continuado a enviar colunas de camiões pintados de branco sem o pleno consentimento e a inspeção da Ucrânia e sem que o seu destino exato e o seu conteúdo pudessem ser verificados”.

O acesso das organizações humanitárias às regiões de Donetsk e Lugansk tornou-se mais complicado desde junho, na sequência da decisão das autoridades separatistas de introduzir um processo de registo.

“Desde meados de julho, a ajuda humanitária foi gravemente reduzida, porque os grupos armados consideram o registo como um requisito prévio”, condena o relatório.

A população que vive perto da zona da frente está a ver a sua situação a deteriorar-se, incluindo o acesso a água e comida. Cerca de três milhões de pessoas vivem nas regiões controladas pelos rebeldes.

O relatório refere ainda casos de sequestros, execuções, tortura, maus-tratos, violência sexual, trabalhos forçados e extorsão nos territórios que estão nas mãos dos separatistas. As autoridades de Kiev também são responsáveis por detenções arbitrárias.

Por último, a ONU denuncia violações dos direitos humanos pelas autoridades russas na Crimeia, península ucraniana que Moscovo anexou em março de 2014, para impedir os opositores de falarem, nomeadamente as organizações da minoria tártara.