A Alemanha decidiu reforçar a participação militar na operação naval da UE no mar Mediterrâneo para lutar contra as redes de tráfico que levam os migrantes para a Europa.

“O governo federal decidiu sobre a participação das forças militares alemãs armadas na nova fase da missão liderada pela UE, EU Navfor Med”, declarou um porta-voz da chancelaria, Georg Streiter, num encontro regular com a imprensa.

Esta decisão vai ser votada pelo Bundestag (câmara baixa do parlamento), num voto que deverá ser uma formalidade devido à larga maioria do governo de Angela Merkel.

Em comunicado, o governo alemão indicou que até 950 soldados vão participar nestas operações “a sul da Sicília e em frente das costas da Líbia e da Tunísia”.

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Nesta segunda fase da missão europeia, “as embarcações dos traficantes serão alvo de buscas, apresadas e confiscadas”. Uma próxima terceira fase prevê a possibilidade “de destruir” estas embarcações, acrescentou o governo alemão.

A decisão do governo autoriza de imediato as operações da marinha alemã “am alto mar, ao largo das águas territoriais líbias”.

Até ao momento, a marinha alemã efetua patrulhas no Mediterrâneo com dois navios para recuperar as embarcações à deriva e recolher informações sobre os traficantes. De acordo com Berlim, o exército alemão salvou 7.200 migrantes durante a perigosa travessia.

Mais de 430 mil migrantes e refugiados atravessaram o Mediterrâneo desde janeiro e perto de 2.750 morreram ou desapareceram, indicou a Organização Internacional das Migrações (OIM).

A Líbia, mergulhada no caos desde a guerra de 2011 que derrubou o regime do coronel Muammar Kadhafi, tornou-se na principal base de operação dos traficantes, que organizam a travessia para Itália, muitas vezes em embarcações precárias e sobrelotadas.