A imagem de um urso polar extremamente magro invadiu as redes sociais quando o fotógrafo Kerstin Langenberger a publicou no Facebook. A fragilidade do animal impressionou quem olhou para a imagem. A maior concluiu que a foto ilustra as mudanças climatéricas que o Ártico está a atravessar.

Esta é também a opinião do próprio fotógrafo: “Para os turistas e fotógrafos de vida selvagem, a principal razão para ir a Svalbard (Noruega) é ver os ursos polares. E sim, normalmente encontramo-los: belos ursos, fotogénicos e até à beira da morte”.

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Last summer I traveled with a group of friends to Svalbard, Norway in search of polar bears. We went to my favorite spot where I have always been able to find bears roaming around on sea ice throughout the summer. On this occasion, however, we didn't find any sea ice and we never found any bears alive. We did find two dead bears in this location and other groups found more dead bears. These bears were so skinny, they appeared to have died of starvation, as in the absence of sea ice, they were not able to hunt seals. In all of my years of growing up in the Arctic and later, working as a biologist, I had never found a dead polar bear. It is now becoming much more common. Through @sea_legacy and @natgeo we will continue to shine a light on our changing planet to convince the unconvinced. Please follow me on @paulnicklen to learn more about the effects of climate change. #polarbear #nature #wildlife #arctic #seaice @thephotosociety

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Conhecedor dos glaciares do Ártico, Kerstin Langenberger diz testemunhar o gelo a derreter ao mesmo ritmo que vê cada vez mais animais a desaparecer. “Vi muitas vezes ursos horrivelmente magros e eram exclusivamente fêmeas. Um mero esqueleto, magoadas, possivelmente numa desesperada tentativa de caçar uma morsa enquanto estava presa em terra”, descreve o fotógrafo.

A descrição de Kerstin Langenberger contraria as versões dos cientistas que defendem que a população de ursos em Svalbard está estável. “Como pode uma população estar estável se tem cada vez menos fêmeas e crias?”, interroga-se o fotógrafo.

Muitos dizem que a observação do fotógrafo é insuficiente para tirar conclusões sobre a situação climatérica no Ártico, mas a verdade é que o degelo é uma realidade no pólo norte. A NASA indica que, entre 1979 e 2013, a extensão da cobertura de gelo diminuiu 19,9% em cada década, enquanto os bancos de gelo também diminuiram 13,7% por década no mesmo intervalo de tempo. A National Center for Environmental Information indica que 2015 pode ser o ano mais quente de sempre. O mês de julho foi o mais preocupante até agora, tendo sido o mais quente dos últimos 136 anos.

Mas como é que estes números afetam os ursos polares? Estes animais desenvolvem a sua vida nas calotes polares. É a partir delas que os ursos tentam aceder à água para pescar. Com essas calotes a derreter, os ursos  deixam de ter espaço e ficam encurralados em territórios gelados mais pequenos e frágeis, sem comida, explica a organização Polar Bears International.

Se o acesso à comida diminui (as morsas também sofrem com o degelo e começam a escassear), a condição física piora, a sobrevivência das crias fica posta em causa, os animais são obrigados a nadar mais tempo e acabam por afogar-se por fadiga e aumentam até as situações de canibalismo (mais comuns em situações críticas).