O Nepal adotou este domingo uma nova Constituição com vista a converter o país numa democracia, após décadas de domínio autocrático e uma longa guerra civil, apesar dos protestos contra o texto.

A Contituição, a primeira a ser elaborada por representantes eleitos, foi aprovada na quarta-feira, depois de os principais partidos políticos terem chegado a acordo sobre a nova estrutura federal.

A adoção da Constituição, que há muito vinha sendo adiada, foi celebrada em Katmandu com fogo de artifício, com o Presidente Ram Baran Yadav a congratular “todos os irmãs e irmãs nepaleses” pelo momento histórico.

“A revolução democrática do povo do Nepal, que começou há 70 décadas, e a vontade do povo de ter uma paz duradoura tornaram-se hoje realidade”, assinalou o chefe de Estado.

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A nova Constituição foi o último passo de um processo de paz que teve início quando os combatentes maoístas entregaram as armas, em 2006, depois de uma década de rebelião, com a qual pretendiam abolir a monarquia autocrática e criar uma sociedade mais igualitária.

Mas a sua adoção não tem sido pacífica, sucedendo a semanas de confrontos entre polícias e manifestantes, que provocaram mais de 40 mortos, entre as quais uma criança um polícia que foi linchado quando seguia numa ambulância para o hospital.

Um manifestante foi morto hoje quando a polícia disparou contra a multidão que desafiou o recolher obrigatório no distrito de Parsa, para protestar contra a intenção de dividir a mais recente epública do mundo em sete províncias federais.

A criação de uma nova estrutura federal que vai devolver o poder a partir do centro tem um apoio generalizado da população, mas os críticos dizem que as fronteiras internas planeadas vão deixar alguns grupos historicamente marginalizados sub-representados no parlamento, como as minorias étnicas Madhesi e Tharu.