O problema não aumentou, mas continuamos a ser um dos países da Europa em pior situação: mais de metade da população portuguesa adulta tem peso a mais ou sofre de obesidade. E não só: aos dois anos, as crianças já têm hábitos alimentares pouco saudáveis. Mas também há notícias positivas. Apesar de ainda haver muito trabalho a fazer para controlar a obesidade infantil, as avaliações dos últimos três anos, feitas a crianças entre os 6 e os 8 anos, mostram que há um “abrandamento e estabilização”. As palavras são de Pedro Graça, diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudáveç (PNPAS), ao jornal Público, no Dia Mundial da Alimentação.

O especialista sustenta a tese com dois estudos feitos pela Universidade Católica e do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto), que demonstram que aos dois anos 17% das crianças já consome bebidas açucaradas, sobremesas e doces, todos os dias. Um “quase veneno”, sublinha, assim como o sal: 87% das crianças estudadas tem valores acima do máximo tolerável de sódio (cinco gramas por dia).

Ao contrário dos jardins de infância, a alimentação nas cantinas escolares teve uma “oferta nutricional de elevada qualidade”, embora lhe falte o marketing. Ou seja, as crianças dizem que “não presta, não sabe a nada”, aos mesmo tempo que à volta dos estabelecimentos escolares existe uma oferta de alimentação pouco saudável. Por isso, acredita, é preciso apostar em pratos “bons do ponto de vista nutricional, mas ao mesmo tempo apetecíveis”. Acima de tudo, Pedro Graça põe a responsabilidade no papel das famílias, que deve começar logo no início do dia: “As taxas de consumo do pequeno-almoço ultrapassam os 90% mas ainda é pequeníssima a percentagem dos que comem fruta ou bebem sumo” pela manhã, ou seja os que tomam um pequeno almoço “adequado”.”

Outro grupo de risco é o dos idosos. Pedro Graça conta que dentro de um ano e meio já existam estudos sobre a alimentação nos mais velhos, porque a desnutrição pode ser um problema grave nesta faxa etária.

No Dia Mundial da Alimentação, que se celebra esta sexta-feira, o nutricionista faz um balanço positivo dos mais de três anos e meio deste programa prioritário da Direcção-Geral da Saúde (DGS),