Um turista, Ben Gliniecky, descobriu no verão passado que o cemitério de Highgate, em Londres, onde está o memorial de Karl Marx, cobra uma taxa de cerca de 6 euros por cada visita ao túmulo do alemão fundador da doutrina comunista moderna.

O cemitério está agora a receber várias queixas de marxistas que contestam a cobrança desta taxa. “Pessoalmente, acho que é nojento”, disse Gliniecky, ativista político de 24 anos, que considera que a “atitude de capitalistas a querer ganhar dinheiro com a sepultura de Marx é de profundo mau gosto”.

A comunidade que cuida deste cemitério, os Friends of Highgate Cemetery ou “Amigos do Cemitério de Highgate”, segundo o Wall Street Journal, informaram que a taxa de encargos subsidia a manutenção e conservação do cemitério que reúne outros cerca de 170.000 t´umulos. 

“Os Amigos do Cemitério”, conta o WSJ, estão a antecipar um aumento de visitas ao memorial de Marx face às queixas dos marxistas. O cemitério já recebe cerca de 200 visitantes por dia, que na sua grande maioria pedem para ver o memorial. “Eles queixam-se e dizem que Marx se estará a revirar no túmulo”, disse um elemento do grupo, Ian Dungavell. “Eu respondo-lhes que é redistribuição em ação, porque que todo o dinheiro que geramos volta para o cemitério”, acrescenta.

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“Ele está enterrado aqui, porque é bonito, não é para fazer o lucro disse”, disse Dima Marotti, uma marxista italiana a viver em Londres.

Apesar disso, a maioria dos visitantes defende que a taxa é uma despesa justificada para ajudar a pagar a manutenção de um cemitério que alberga outros nomes importantes como o romancista George Eliot ou o empresário Malcolm McLaren.

Alguns marxistas, porém, aceitam a a taxa, como o presidente dos curadores da Biblioteca Marx & Escola do Trabalhador, Alex Gordon, uma instituição de caridade que ajuda a cuidar do túmulo. “Marx acreditava que o trabalho devia ser recompensado, ele não acreditava que se podia alcançar uma sociedade sem classes simplesmente por se recusar a pagar as coisas”, disse.

Contudo, o turista Ben Gliniecki argumenta que o Estado tem um papel importante no cuidar de equipamentos públicos e que Marx teria ficado horrorizado se soubesse da existência desta taxa.