São às centenas, não só nos Estados Unidos como mundo fora, os mórmons que estão a abandonar a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias — como também é conhecida a Igreja Mórmon.

Esta segunda-feira, por exemplo, cerca de 1.500 norte-americanos mórmon reuniram-se nas imediações da sede da Igreja, em Salt Lake, no Estado do Utah, declarando a sua saída. São já mais de três mil as pessoas que se desassociaram da Igreja nos últimos dias. Porquê? Porque os líderes mórmons endureceram a sua política contra a homossexualidade, em particular contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Num manual (que se queria secreto, mas que rapidamente chegou à comunicação social) enviado aos líderes das 30 mil congregações mórmons em todo o mundo, lê-se que os filhos de pais homossexuais não podem ser batizados até aos 18 anos. E que, atingida a maioridade, só podem ser se renegaram a homossexualidade. Ou seja, pede-se-lhes que reneguem a família. 

“Todas as crianças devem ser tratadas com respeito e amor. Elas são bem-vindas se quiserem assistir às reuniões da Igreja e participar nas suas atividades. Mas não poderão ser batizadas”, acrescenta o manual. 

O que se dá com uma mão, retira-se com a outra. Ao mesmo tempo que a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias aceita que as crianças filhas de homossexuais se mantenham consigo, prevê que os pais sejam considerados apóstatas se se provar que são homossexuais, submetendo-os a um conselho disciplinar que poderá conduzir à sua expulsão da Igreja. Estes conselhos até hoje só eram convocados em casos de homicídio, violação ou adultério por parte de mórmons.

Todd Christofferson, membro do “Quórum dos 12 Apóstolos”, um dos órgãos que presidem à Igreja, confessou à BBC que esta “vê o casamento homossexual como um pecado especialmente grave, que requer disciplina por parte da Igreja”. Segundo o mesmo presbítero, o endurecimento da posição mórmon só surgiu depois da legalização por parte do Supremo Tribunal dos Estados Unidos do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Foi a 26 de junho.

“Nós reconhecemos que os casamentos homossexuais são legais segundo a lei norte-americana. Mas essa não é a nossa lei. Esse não é um direito que exista na nossa Igreja. É importante ter uma politica firme, que não deixe lugar a perguntas ou duvidas: nós não aceitamos o casamento entre pessoas do mesmo sexo”, afirmou Christofferson à BBC. 

Este endurecer da política anti-gay da Igreja Mórmon surge depois de em março os seus líderes terem aprovado o por si denominado “Compromisso de Utah”, que proibia toda a discriminação dos mórmons contra lésbicas, gays, bissexuais e transgénero, mas somente em questões de direito à habitação e ao emprego.