Manuela Ferreira Leite criticou esta quinta-feira, na TVI24, a estratégia de PSD e CDS na oposição ao PS. A ex-líder do PSD afirmou que os dois partidos não explicaram devidamente “os seus pontos de divergência” face ao programa do Governo, preferindo insistir no argumento da ilegitimidade do executivo de António Costa. Um argumento que considera errado: “É um governo que é legítimo do ponto de vista da Assembleia da República e do ponto de vista institucional, a todos os níveis”, disse.

Para a ex-líder do PSD, “há uma falha” na estratégia dos dois partidos. “Fez-se a discussão do programa do governo (…) e ninguém percebeu porque é que não houve um consenso entre a coligação e o PS”, disse. E as responsabilidades ficam para a direita, que acusa de ter insistido “na ideia de que aquilo que era proposto pela coligação era caminho único”. Algo que, em sua opinião, “não se pode fazer em democracia”.

PSD e CDS vão, assim, ter que “fazer oposição perante resultados”, já que sobre o programa “ouvimos muito pouca coisa”. Os resultados, disse Manuela Ferreira Leite, ditarão a avaliação que se deve fazer do novo governo: “Temos de esperar pelos resultados para ficar demonstrado se o caminho está certo ou errado”.

A ex-líder dos sociais-democratas pormenorizou ainda as medidas de que gostou e não gostou, de entre as propostas do novo governo. Manuela Ferreira Leite explicou discordar do recuo do PS quanto à descida do IRC – “A pior coisa para um investidor é a instabilidade fiscal”, alertou -, e ainda da decisão de acabar com os exames de 4º ano: “Não se pode fazer estas alterações repentinamente sem bases, sem estudos, sem fundamentos. Acho inimaginável que se tomem decisões destas sobre o joelho”, acusou a ex-ministra da Educação.

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A social-democrata elogiou, contudo, duas decisões do novo executivo de António Costa: o facto das decisões sobre as grandes obras públicas precisarem agora da aprovação de dois terços do parlamento para avançarem, e a reversão da privatização dos transportes públicos, medida tomada pelo anterior governo, de que se mostrou muito crítica. “Ainda ninguém me conseguiu explicar como é que é possível haver transportes públicos nas mãos de privados. Se é público não é privado. (…) Se [o problema dos transportes públicos] é de gestão, e todos sabemos que há [esse problema], passemos a ter mais cuidados a escolher os gestores públicos”, alertou.

Texto editado por Rita Ferreira