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Foi o último presidente do Banco Espírito Santo (BES) e o primeiro presidente do Novo Banco. Vítor Bento abandonou o cargo em setembro de 2014, pouco mais de um mês após a resolução do BES, por divergências quanto ao modelo de venda rápida defendido pelo anterior governo e Banco de Portugal, e que acabou por não ter um desfecho positivo.

Agora, que está para ser relançado o processo de alienação do Novo Banco (NB), o economista defende que o cenário da nacionalização deve ser pensado, sobretudo no quadro de uma consolidação da banca dirigida a nível interno. Em entrevista à Antena 1 e Diário Económico, Vítor Bento considera que valeria a pensar pensar profundamente num cenário de nacionalização do NB.

A manutenção do Novo Banco na esfera pública é uma tese defendida pelos partidos à esquerda do PS, em particular pelo Bloco de Esquerda que chegou a impor essa condição para viabilizar o Orçamento Retificativo que concretizou a resolução do Banif.

“Considerar o Novo Banco como parte do património público num processo de consolidação do sistema bancário é um cenário que vale a pena pensar”, diz Vítor Bento.

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Questionado especificamente sobre a hipótese de nacionalizar o Novo Banco (neste caso, não vender o banco), o economista responde que essa seria uma saída possível, considerando importante estudar as várias alternativas.

Mais do que olhar para o Novo Banco de per se, deve-se olhar “para qual seria a configuração desejável, conveniente e menos disruptiva para a economia e para a sociedade portuguesa daqui a uns anos”. Para Vítor Bento, deve-se olhar para o que se quer neste processo de consolidação.

“Vamos ser agentes passivos da nacionalização e ficar com a banca toda dominada a partir do estrangeiro? Ou queremos ser protagonistas, gerando consolidação interna, criando a possibilidade de haver, pelo menos, uma grande instituição a nível nacional?

São perguntas deixadas pelo antigo presidente do Novo Banco e ainda conselheiro do Estado de Cavaco Silva. Na primeira tentativa de venda, realizada em 2015, todos os candidatos eram estrangeiros, com exceção do BPI, que no entanto tem como maior acionista o CaixaBank. Na segunda ronda, os grupos espanhóis CaixaBank, eventualmente via BPI, e o Santander posicionam-se como interessados.

Vítor Bento admite ainda que a grande instituição nacional poderia ser a Caixa Geral de Depósitos, mas sendo um processo de consolidação teria de envolver outros players.

A quase certa oposição de Bruxelas

Mas o envolvimento do banco do Estado num processo de consolidação com outras instituições poderia esbarrar na oposição da DG Comp, direção de concorrência da Comissão Europeia que chumbou a proposta do governo de Lisboa para integrar o Banif na Caixa Geral de Depósitos.

O banco público ainda não devolveu as ajudas de Estado, concedidas através dos CoCos (instrumentos de dívida convertíveis em capital), o que, pelas regras de Bruxelas e do plano de reestruturação da Caixa, a impede de absorver outros bancos. Por outro lado, parece cada vez mais evidente a necessidade de um novo aumento de capital na CGD que apresentou ainda prejuízos de 172 milhões de euros em 2015.

Além disso, a resolução do BES e o plano de reestruturação do Novo Banco foram aprovados por Bruxelas no pressuposto de que o banco seria vendido, embora a Comissão tivesse dilatado o prazo para tal acontecer.

O Novo Banco é atualmente detido pelo Fundo de Resolução, uma entidade pública que é financiada pelo sistema bancário.