A operadora italiana TIM não tem interesse “em aprofundar negociações a respeito da possibilidade de uma combinação de negócios com a Oi, no Brasil”. Em comunicado, a Pharol, a empresa que é a maior acionista da operadora brasileira, adianta que sem a TIM, o fundo russo LetterOne Technology não irá avançar com o anunciado financiamento de quatro mil milhões de dólares que tinha como pressuposto uma consolidação entre a TIM e a Oi.

O fundo detido pelo milionário russo Mikhail Fridman propôs, em outubro passado, uma injeção de quatro mil milhões de dólares (3,6 mil milhões de euros) na Oi, caso a operadora se fundisse com a italiana TIM, uma operação que terá começado a ser discutida ainda quando Zeinal Bava era presidente da empresa brasileira.

Este anúncio está fazer derrapar as ações da Pharol, a antiga PT SGPS, cujo único ativo é precisamente a participação de cerca de 27% que detém na Oi. As ações estavam a cair mais de 10%, por volta das 13.00 horas numa sessão em que todas as outras empresas do PSI 20 estavam a valorizar.

Perante a desistência da TIM e do fundo russo de avançarem num processo de fusão, a Oi adianta que irá avaliar os impactos deste anúncio para as possibilidades de consolidação do mercado brasileiro. A empresa assegura que continua a “empreender seus esforços de melhorias operacionais e transformação do negócio, com foco em austeridade, otimização de infraestrutura, revisão de processos e ações comerciais”.

A necessidade de avançar com a consolidação no mercado brasileiro de telecomunicações foi o principal argumento usado pela Oi para justificar no ano passado a decisão de vender a PT Portugal aos franceses da Altice. Esta transação surgiu na sequência da fusão entre as operadoras brasileira e portuguesa, decidida em 2014. Esta operação foi concretizada por aumento de capital é está agora a ser investigada pelo regulador do mercado brasileiro que desconfia que o negócio terá beneficiado os grandes acionistas brasileiros da Oi.

Por cá, também as aplicações da PT nas empresas do Grupo Espírito Santo, e que resultaram em perdas de quase 900 milhões de euros, estão sob suspeita e a ser investigadas, para além de terem motivado queixas da empresa contra antigos administradores.