Maria Luís Albuquerque

PS critica contratação de Maria Luís Albuquerque mas não quer alteração à lei

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O presidente do PS, Carlos César, diz que é importante "clarificar" se "há ou não alguma perversidade" na relação entre Maria Luís Albuquerque e a gestora Arrow Global. Alteração da lei descartada.

Apesar da polémica, Carlos César afastou a hipótese de rever a lei das incompatibilidades

Pedro Nunes/LUSA

Autor
  • Miguel Santos Carrapatoso

Carlos César, presidente e líder parlamentar do PS, considera “no mínimo embaraçoso para a política e para a Assembleia da República” a polémica que envolve Maria Luís Albuquerque. Ainda assim, o socialista deixou claro que uma eventual alteração da lei das incompatibilidades aplicada aos detentores de cargos políticos e altos cargos públicos não está em causa.

“Não posso deixar de dizer que é no mínimo embaraçoso para a política e para a Assembleia da República que alguém nessa circunstância possa tão rapidamente ter exercido uma tutela e uma relação que não deixou de confinar com os interesses dessa empresa e passar a trabalhar para essa empresa logo a seguir”, atirou Carlos César, em declarações aos jornalistas, no Parlamento.

O líder da bancada parlamentar do PS fez questão de sublinhar que os socialistas não estão, de modo algum, a fazer um “julgamento prévio” de Maria Luís Albuquerque. Ainda assim, Carlos César reiterou que é preciso “clarificar” se “há ou não alguma perversidade ou alguma cumplicidade negativa” neste caso.

Desafiado a explicar se o PS está disposto a abrir um novo debate sobre a lei das incompatibilidades, nomeadamente através de um alargamento do período de nojo, Carlos César foi perentório: “Não está em causa isso. O que está em causa é o comportamento de uma personalidade que foi ministra das Finanças e que vai trabalhar para uma empresa que agiu dentro da área desse ministério”.

Perante a insistência dos jornalistas, Carlos César não deixou margem para dúvidas. “É escusado tentarmos arranjar uma ideia de que é preciso mudar uma lei. Já estava a calcular que por qualquer razão o PS ia ter culpa disto. Não, nós não temos nada a ver com isto. O que eu reconheço é que há uma senhora que é deputada, que foi Ministra das Finanças, e que passou agora a trabalhar para uma empresa que fez negócios vultuosos [nomeadamente o Banif] enquanto era ministra das Finanças”.

Na verdade, o assunto vai em breve ter que ser discutido no Parlamento porque o BE tenciona entregar o projeto de lei sobre o regime de incompatibilidades e impedimentos de titulares dos cargos políticos que entregou na legislatura passada e que se tivesse sido aprovado teria impedido a ex-ministra das Finanças de aceitar o convite da Arrow Global.

Maria Luís Albuquerque já reagiu ao caso, garantido total isenção. Em comunicado, a ex-ministra das Finanças negou qualquer incompatibilidade e recusou ter favorecido a empresa financeira britânica Arrow Global. “Nenhuma decisão tomada pela empresa no passado foi condicionada ou influenciada por qualquer tipo de decisão que eu tenha tomado”, vincou a ex-governante.

Para Carlos César, a palavra de Maria Luís Albuquerque, no entanto, serve de pouco. “O que me interessa não é saber a opinião da dra. Maria Luís Albuquerque, mas sim a da subcomissão de ética”.

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