Maria Luís Albuquerque nega qualquer incompatibilidade e recusa ter favorecido a empresa financeira britânica Arrow Global, que agora a contratou como administradora não executiva. “Nenhuma decisão tomada pela empresa no passado foi condicionada ou influenciada por qualquer tipo de decisão que eu tenha tomado”, explica a ex-ministra em comunicado.

Confirmando que vai assumir funções no próximo dia 7 de março, Maria Luís esclarece que as funções que vai desempenhar são de natureza “estritamente não executiva”, ou seja, “sem participação nas decisões sobre negócios em concreto”, quer em Portugal quer noutros países.

Numa nota enviada aos jornalistas, a atual deputada do PSD recusa qualquer violação do regime de incompatibilidades a que os deputados estão sujeitos, assim como qualquer impedimento pelo facto de ter tutelado a área das Finanças no Governo anterior. “A função de administradora não executiva não tem nenhuma incompatibilidade ou impedimento legal pelo facto de ter sido Ministra de Estado e das Finanças e de ser deputada“, diz.

“O objetivo da minha contratação é de aportar valor à empresa sobre matérias de enquadramento macroeconómico e regulatório ao nível europeu, sobretudo da Europa continental”, acrescenta. Maria Luís Albuquerque nota ainda que “qualquer outra leitura” que possa ser feita da sua nomeação na Arrow Global deve ser entendida como “aproveitamento político partidário”.

A Arrow Gobal é uma empresa anglo-saxónica especializada na angariação e recuperação de dívida pública e privada e de análise de risco. No ano passado, a Arrow Global adquiriu duas empresas, a Whitestar Asset Solutions e a Gesphone, cujos ativos sob gestão em Portugal atingem 2300 milhões de euros. Entretanto a Whitestar comprou cerca de 300 milhões de crédito em risco do Banif enquanto Maria Luís era ministra das Finanças e, portanto, representando do maior acionista daquele banco (o Estado).