O que levou dois jovens estudantes portugueses em Erasmus a criarem um site de procura de emprego que em dois anos alcançou mais de nove milhões de pessoas? A resposta é simples: os pedidos de emprego não paravam de chegar.

A história do site Emprego Pelo Mundo começou em 2012, quando Diogo Ribeiro criou um site para ajudar os pais a promover uma casa que têm no Brasil para fins turísticos. Na altura, o engenheiro químico “ainda sabia pouco de sites”, como contou ao Observador.

“Comecei a receber contactos de muitas pessoas que me pediam emprego através do site”, explicou Diogo Ribeiro. Não tinha ofertas de emprego, mas teve a ideia de criar um site para ajudar quem procurava trabalho, em especial fora de Portugal.

Diogo Ribeiro e o amigo Maia Pedro começaram a dar forma à ideia nos dormitórios da universidade onde estavam a fazer Erasmus, na República Checa. Um cenário que lembra a história da fundação da rede social mais famosa e bem-sucedida do Mundo, o Facebook. Foi esta rede social que ajudou ao crescimento do site dos dois amigos – que conta com mais de 450 mil fãs na página de Facebook e mais de 30 mil membros no grupo de ajuda à procura de emprego.

O site Emprego Pelo Mundo conta com nove milhões de visitantes e mais de 55 milhões de visualizações, sucesso que levou Diogo Ribeiro e Maia Pedro a lançarem a plataforma EPMjobs, que promete “revolucionar o mercado da procura de emprego”.

O site Emprego Pelo Mundo funciona como um divulgador e agregador de ofertas de emprego. O EPMjobs permite a candidatura imediata às ofertas através da plataforma que pretende eliminar as barreiras da contratação tradicional e aproximar empregadores e candidatos. No EPMjobs os empregadores podem aprovar, marcar entrevistas, fazer abordagens ou rejeitar as candidaturas através de um sistema de mensagens internas, por exemplo. Em breve, os dois fundadores pretendem oferecer também a possibilidade de candidatos e empresas falarem através de videoconferência.

Há mais candidatos por emprego, exceto numa área

No início, as ofertas de trabalho que divulgavam no Emprego Pelo Mundo eram procuradas por Diogo Ribeiro e Maia Pedro, mas passaram a ser procurados pelas empresas para que divulgassem as vagas no site. Na maior parte das ofertas, o número de candidato é superior, “às vezes, às centenas”, aos colaboradores que as empresas procuram contratar.

Quando o site foi lançado, em fevereiro de 2013, “os anúncios de empresas de retalho, que contratam para supermercados e hipermercados eram muito procurados, incluindo por pessoas com habilitações muito acima das solicitadas” disse Diogo Ribeiro ao Observador.

“A nível internacional recebemos mais ofertas na área da saúde, no início no Reino Unido mas agora mais do Dubai e Abu Dhabi”, detalhou Diogo Ribeiro.

As ofertas de emprego em Portugal que mais recebem são na área das tecnologias de informação. “São as mais procuradas e são também as ofertas de mais difíceis de preencher”, ou seja, é uma área onde a oferta de emprego é maior que o número de candidatos.

Ajudar a arranjar emprego “compensa”?

Antes de ser um site, o Emprego Pelo Mundo começou por ser um blogue, passou a site e chegou a ter cinco colaboradores a produzirem conteúdos. O site é rentabilizado através de parcerias publicitárias (como o Ad Senses) e através da cobrança às empresas que colocar as suas ofertas de trabalho em destaque no site e na página de Facebook.

A iniciativa voluntária deu frutos, mas os fundadores do site sempre tiveram outras profissões. Diogo Ribeiro é engenheiro químico e Maia Pedro é licenciado em Biotecnologia. Atualmente, desempenham funções na mesma empresa internacional que pouco têm a ver com as suas formações. Diogo Ribeiro é director de projectos e Maia Pedro é responsável pela inovação.

“Os rendimentos do Empregos Pelo Mundo foram sempre investidos no crescimento do site e agora nesta nova plataforma, o EPMjobs”, explicou Maia Pedro. “Ainda não tirámos lucros, o site nunca foi o nosso ganha-pão”, contou Maia Pedro ao Observador.

O Emprego Pelo Mundo tem como primeiro mercado Portugal, o segundo o Brasil e depois os países lusófonos, com Angola à frente. Os dois fundadores querem que o EPMjobs venha a ser a maior plataforma de emprego a atuar no espaço lusófono e “será gratuito para todos os utilizadores assim como para todas as empresas que se registem, por tempo indeterminado.”