O BPI não precisa, nem está interessado em participar num projeto de banco mau, um veículo que serve para limpar os bancos dos créditos em risco e outros ativos depreciados. A afirmação foi feita pelo presidente executivo, Fernando Ulrich, na conferência sobre os resultados do primeiro trimestre. O responsável, citado pela Bloomberg, sublinha que o rácio de crédito em risco permaneceu em 4,7% no final de março, o que representa um dos níveis mais baixos de Portugal e Espanha.

Já sobre a necessidade desta solução para outros bancos portugueses, Fernando Ulrich prefere não responder. A ideia de criar uma espécie de banco mau para libertar as instituições portuguesas do elevado nível de malparado foi lançada publicamente por António Costa, mas o projeto também é defendido por Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal. Tem no entanto de ser encontrada uma solução que não envolva uma ajuda de Estado ou que seja considerada compatível com as exigentes regras europeias.

O BPI registou no primeiro trimestre um lucro consolidado de 45,8 milhões de euros, o que corresponde a um crescimento de 48,3% face ao mesmo período do ano passado. Mas se a operação em Portugal passou de prejuízos para lucros, 7,9 milhões de euros, estes continuam a ter um contributo relativamente marginal para o resultado do banco. O Banco do Fomento Angola (BFA), descrito como a joia do grupo, mantém-se a principal fonte de lucros, apesar das dificuldades da economia angolana que pediu ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI), contribuindo com 80%.

A participação de 50,1% no Fomento Angola gerou ao BPI resultados de 37 milhões de euros, o que foi um crescimento de 15% em relação ao primeiro trimestre do ano anterior. E é precisamente esta posição que o BPI tem de reduzir, ou mesmo abdicar, para cumprir as exigências do Banco Central Europeu sobre a exposição aos grandes riscos de Angola.

BPI fica com rácios adequados mesmo sem BFA

O presidente executivo do banco fez que tão contudo de sublinhar com uma eventual saída do BFA do universo do BPI, ainda que fosse dado, o banco manteria um rácio de capital adequado. E a pergunta sobre poderia dar a participação em Angola, teve a resposta: “Ainda não enlouqueci“. Em causa estão notícias de que Angola poderá congelar direitos de voto, como retaliação pelo diploma que permite desbloquear os estatutos no BPI, acabando com o poder de veto de Isabel dos Santos.