O ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, manifestou esta sexta-feira “preocupação” com um possível cenário de seca no Alentejo, este ano, mas disse estar a acompanhar a situação e admitiu adotar medidas, caso sejam necessárias.

“Não estamos ainda” em seca, mas “estamos perante um conjunto de indícios que faz antever que” esta situação “será, provavelmente, um problema incontornável”, este ano, afirmou o ministro, em declarações à agência Lusa, em Estremoz, no distrito de Évora.

À margem de uma conferência na Feira Internacional de Agropecuária e Artesanato de Estremoz (FIAPE), Capoulas Santos reconheceu à Lusa que o cenário de seca “ameaça” zonas específicas do Alentejo, sobretudo no interior sul.

“De facto, é sobretudo na parte sul do Baixo Alentejo”, no distrito de Beja, onde “não houve este ano, infelizmente, a pluviosidade necessária para recarregar os aquíferos”, sendo que, “em alguns casos, os riachos não chegaram sequer a correr neste inverno”.

E, em algumas localidades do Baixo Alentejo, indicou o ministro da Agricultura, Florestas e do Desenvolvimento Rural, “já é necessário carregar água para abeberar o gado”.

“Estamos no final do mês de abril, portanto, não é difícil imaginar o que acontecerá quando chegarmos a junho, julho, agosto ou setembro”, ou seja, os meses mais quentes e secos, disse, frisando que o ministério está “a acompanhar” a situação, que “causa preocupação”.

Já antes, no encerramento da conferência sobre “O Futuro da Organização da Produção”, que marcou o dia desta sexta-feira na FIAPE, o governante tinha abordado o problema da seca, aludindo a impressões que tinha acabado de trocar com o presidente da Confederação dos Agricultores Portugueses (CAP), João Machado, e o autarca de Estremoz, Luís Mourinha.

“Estamos todos a ficar muito preocupados com a perspetiva de uma situação grave de seca”, para a qual, “no momento próprio, teremos que equacionar eventuais medidas”, afiançou.

Luís Capoulas Santos revelou à Lusa que, “brevemente”, vai reunir a comissão de seca que está instituída no ministério para fazer “uma avaliação correta da situação”.

Questionado igualmente pela Lusa, o presidente da CAP disse que “a grande maioria do território nacional não tem problemas de falta de água e não está a sofrer com a seca”, mas confirmou também que “há zonas do Alentejo que, neste momento, já estão numa situação difícil” a esse nível.

“O que se tem de verificar é se vai chover nos próximos tempos ou não. Se chover, a situação pode ser amenizada”, mas, “se não chover, tem que se adotar medidas”, defendeu.

João Machado realçou ainda que já tem vindo a abordar esta temática com o ministério: “É isso que temos vindo a falar”, para que, “quando chegarmos à altura mais quente, no verão, haja medidas previstas, nomeadamente para abeberamento do gado ou para outras situações que os agricultores precisem”.