“Um ambiente de discriminação deplorável”. É este o clima imposto no New York Times, segundo duas funcionárias negras do departamento comercial do jornal. É esta a acusação que está na base da ação legal interposta pelas duas mulheres em tribunal.

O acusado é Mark Thompson, atual presidente executivo do NYT e antigo diretor-geral da BBC. Segundo a queixa apresentada, Thompson é responsável por promover um “ideal de equipa, que inclui pessoas brancas, jovens e solteiras” e rejeitar mulheres mais velhas e funcionários negros, conta o The Guardian, que consultou o processo multimilionário.

“O Times não só tem um consumidor ideal (branco, jovem e rico) como também tem um funcionário ideal (branco, jovem e sem responsabilidades familiares), que atraia esse consumidor ideal”, alegam as mulheres. A advogada das duas funcionárias disse que estas alegações podem estender-se a quase 50 outras vítimas desta cultura discriminatória.

A acusação visa também Meredith Levien, outra executiva do jornal. Segundo alguns membros do staff , Levien deixou claro que queria uma equipa com “caras novas” e com “pessoas que se pareçam com as pessoas a quem vendemos o produto”.

Estas acusações são negadas pela responsável da comunicação do diário. “Esta ação legal contém uma série de injustificados ataques a Mark Thompson e a Meredith Levien (…) e tem distorções da realidade do ambiente de trabalho no New York Times. Discordamos completamente que (…) haja qualquer discriminação contra um qualquer grupo de funcionários”, sublinhou Eileen Murphy.

Quando Thompson estava à frente da BBC, o canal foi também alvo de vários escândalos relacionados com a forma como eram tratadas as mulheres mais velhas. O atual CEO do New York Times terá também sido responsável por “atitudes misóginas e de discriminação da idade” que terá levado para o diário americano. Na altura, Thompson chegou a reconhecer que havia “poucas mulheres mais velhas” a fazer televisão na BBC.

A ação interposta pelas duas mulheres refere ainda que Jill Abramson, a primeira diretora mulher do New York Times, “não conseguiu enfrentar a dura realidade da redação” e que foi despedida depois de se queixar que recebia menos que os homens que ocuparam aquela posição anteriormente.