Pelo menos 89 das 305 autarquias portuguesas utilizam glifosato, um pesticida que a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou como potencialmente cancerígeno. Governo reconhece nunca ter feito análises à possível contaminação por glifosato.

A conclusão é avançada pelo Bloco de Esquerda, que inquiriu 308 câmaras municipais sobre o uso deste herbicida, e é o destaque do Diário de Notícias. Das 107 autarquias que responderam, 89 admitiram usar pesticidas à base de glifosato. As autarquias que mais recorrem este herbicida são Gondomar (4000 litros/ano), Matosinhos (2800), Évora (2500), Ferreira do Zêzere (2420), Portimão (1800), Cuba e Elvas (1000).

Este pesticida é utilizado para eliminar as ervas daninhas em locais como jardins, cemitérios, passeios e estradas ou mesmo para preparar terrenos para cultivo. “Se 80% das câmaras que responderam disseram usar, se aplicarmos a proporção às que não responderam, a situação é mais preocupante. É um produto muito barato, e com a crise e restrições na contratação, estão a substituir trabalho por veneno”, afirmou Jorge Costa, deputado do Bloco de Esquerda, ao Diário de Notícias.

De acordo com a TSF, Portugal gasta por ano um total de 1.600 toneladas de glifosato, sem que as autoridades tenham, alguma vez, feito qualquer análise à presença deste herbicida na água, no ambiente ou nos alimentos. Este ano será a primeira vez que o Ministério da Agricultura vai incluir o glifosato na lista de substâncias a pesquisar, mas as análises serão circunscritas às sementes de centeio.

A 18 de maio, a Comissão Europeia votará a reautorização da licença de uso do glifosato na Europa, que termina 30 de junho. Em março, houve uma proposta de revalidação da licença por 15 anos, mas a oposição de países como Itália, França, Holanda e Suécia adiou o processo. De acordo com o bloquista Jorge Costa, citado pelo DN, o Ministério da Agricultura português ter-se-á manifestado a favor da renovação.

“Questionámos o Ministério da Agricultura sobre a posição que tinha tomado em março. Segundo a resposta que nos deu, era favorável à renovação. Entretanto indicou aos peritos que assumam uma posição de abstenção. Esperamos que o Governo não alinhe na renovação e que mostre avanços concretos em Portugal. Depois da recomendação europeia esperamos que proíba o uso em espaços urbanos”, afirma Jorge Costa.

O PAN – Partido Animais e Natureza também está a pressionar o Governo e pediu para ouvir o ministro da Agricultura, Luís Capoulas dos Santos, no Parlamento. Os ecologistas exigem ainda realização de análises na água e alimentos.

Entretanto, a Plataforma Transgénicos Fora analisou a urina de 26 voluntários portugueses e chegou a conclusões alarmantes. De acordo com a RTP, os resultados mostraram valores elevados deste herbicida na urina. “O maior estudo sobre o glifosato foi feito na Alemanha em 2015. O pior resultado alemão é três vezes menor que o melhor resultado português. A situação é grave“, afirmou Margarida Silva, representante desta plataforma.