A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, defendeu esta segunda-feira que o momento atual deve ser de união de esforços para criar riqueza e emprego e que o Estado deve “dar o exemplo” no trabalho, recusando as 35 horas semanais.

“Creio que o país precisa de unir esforços para crescer, para criar investimento, para criar riqueza, para criar emprego. Este emprego não nasce do nada, nasce de trabalho, e o Estado tem também de dar o exemplo nesse trabalho”, defendeu Assunção Cristas.

A líder centrista falava aos jornalistas à margem de uma conferência sobre envelhecimento ativo, promovida pelo CDS-PP, na Assembleia da República, em Lisboa.

Questionada sobre a reposição das 35 horas semanais de trabalho na Função Pública, Cristas afirmou não lhe parecer que no contexto atual a medida “vá ajudar”.

“Nós olhamos para o estado do país, nós olhamos para um crescimento económico que praticamente não existe ou existe de forma diminuta, olhamos para o desemprego que está pior e o emprego que teima em não aparecer, olhamos para as exportações que estão em claro declínio e aquilo que julgo que é importante no país é unirmos esforços para que todos possamos ajudar a criar emprego, a gerar investimento e a garantir que a nossa economia começa a crescer a ritmos significativos”, sustentou.

Além de referir que no setor privado se trabalham 40 horas semanais, a presidente do CDS-PP criticou também a “forma como o Estado funciona”, não favorecendo o investimento, “com atrasos, com processos longos, com dificuldade em gerir as coisas com mais rapidez”.

Peter Praet, do conselho executivo do Banco Central Europeu (BCE), disse esta segunda-feira que as reformas em Portugal “têm que ser continuadas”, mas questiona as implicações como a reposição das 35 horas de trabalho semanais.

“Quais são as implicações orçamentais, por exemplo, se se voltar para a semana das 35 horas? Este ainda é um período em que existem pontos de interrogação”, afirma Peter Praet, numa entrevista publicada esta segunda-feira no jornal Público.

No domingo, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu que “não há argumento” ou “forma enviesada” que possa impedir a reposição, a 01 de julho, do horário de trabalho das 35 horas semanais na função pública.

“Não se trata de conquistar qualquer direito novo. O que estamos a propor é que, com a mais elementar justiça, se reponha aquilo que foi roubado, aquilo que foi tirado aos trabalhadores da administração pública”, disse, durante um comício, no mesmo dia em que o jornal Público titulou que o Presidente da República “ameaça vetar as 35 horas na função pública”.

O jornal Público avançou nessa edição de domingo que Marcelo Rebelo de Sousa “tem dúvidas sobre a oportunidade” do regresso a este horário de trabalho das 35 horas, que tinha sido alargado para as 40 horas pelo anterior Governo PSD/CDS-PP.

Quando interrogado pelos jornalistas se já decidiu sobre a reposição das 35 horas semanais, o Presidente da República lembrou apenas que “ainda não há lei” e que o diploma só será votado no parlamento no dia 3 de junho.