Ana Catarina Mendes não podia ser mais clara: “Não há nenhum pacto de não-agressão com PCP nas eleições autárquicas” de 2017, nem qualquer hipótese criar coligações pré-eleitorais com o PCP ou Bloco de Esquerda.

Em entrevista à jornalista Maria Flor Pedroso, na Antena 1, a secretária-geral-adjunta admitiu até ter ficado “surpreendida” com a informação que tem vindo a ser veiculada esta semana de que socialistas e comunistas tinham um pacto de não-agressão nessas eleições. A socialista nega e garante que o PS tem uma “estratégia própria”: vencer o máximo número de câmaras possíveis.

Numa espécie de balanço sobre os seis meses de “geringonça”, Ana Catarina Mendes reiterou que, apesar da fórmula parlamentar encontrada, tudo está a correr dentro dos planos do PS — a grande diferença está no timing.

Tudo o que PS está a fazer estava no Programa Eleitoral e no Programa de Governo do PS. Tirando o calendário. Prometemos e cumprimos”, garantiu a deputada socialista.

Desafiada a projetar um possível Governo socialista assente numa confortável maioria parlamentar, a secretária-geral-adjunta acabou por admitir que o PS “aplicaria exatamente as mesmas medidas”, mas de uma forma mais faseada. Em maioria, o PS corria na mesma direção, mas a outro ritmo.

Sobre as vozes críticas que se têm vindo a manifestar contra a atual liderança socialista, poucas palavras. Esta quarta-feira, por exemplo, António Galamba, segurista e ex-deputado do PS, disse que alguns militantes socialistas têm “medo” de dizer o que verdadeiramente pensam. Ora, Ana Catarina Mendes não tem dúvidas: é uma invenção de António Galamba.

“Se o PS fosse um partido de medo não era um partido [com as] portas abertas a tudo quanto são militantes e simpatizantes. Acho que [António Galamba] está claramente a inventar um problema que não existe”, atirou a deputada socialista, durante a entrevista à Antena 1.

Numa altura em que o partido parece, de um modo geral, pacificado, a questão das primárias socialistas acabou por refrear. Ainda assim, e desafiada a comentar se a fórmula usada para escolher entre Costa e Seguro era para repetir ou se só servia para mudar o líder quando o líder não convencia, Ana Catarina Mendes, que no passado já defendeu esta proposta, afastou a segunda hipótese. Mas reconheceu que esse “caminho [o das primárias] ainda não está suficiente amadurecido” no partido. Mas é um “caminho que vamos ter de fazer”, sublinhou a socialista.

Naquilo que parece ser uma crítica às declarações de Francisco Assis e Sérgio Sousa Pinto, que ainda recentemente voltaram a atacar a “geringonça” construída por António Costa, Ana Catarina Mendes lembrou que a ideia de pôr fim ao chamado arco de governação era uma linha chave da moção apresentada pelo agora primeiro-ministro no congresso de 2014. O aviso já estava feito, parece ter dito a secretária-geral do partido.

Nesta entrevista à Antena 1, Ana Catarina Mendes falou ainda sobre a ideia de trazer mais independentes para o partido. A deputada do PS reconhece que houve socialistas que ficaram “chocadíssimos” com esta ideia de ver partidos dirigidos por agentes não políticos e que a expressão que utilizou para descrever o projeto — trazer para o partido “pessoas normais” — não foi a mais feliz. Mas, insiste a socialista, é preciso capitalizar os simpatizantes que decidiram participar nas primárias que não estão no PS ou não são dirigentes porque nunca foram verdadeiramente desafiados.

Sobre a questão da legalização da eutanásia, uma certeza: depois do Congresso, os socialistas vão sentar-se e discutir sobre a proposta.