Nos últimos dois dias (3 e 4 de Junho) o fado invadiu o Porto com um cartaz que antevia boas vozes em português para nos aquecer os ouvidos: Ana Moura, António Zambujo, Gisela João, Helder Moutinho, Raquel Tavares e a sempre inconfundível Simone de Oliveira

O tempo ajudou porque deu tréguas à chuva e, ao final do primeiro dia, ainda se sentia algum calor nas ruas. E num roteiro fadista em que o objetivo é absorver o ambiente dos vários locais, os looks descontraídos acabaram por ser os mais vistos. Se nos palcos havia muitos brilhantes, saias compridas, tules, muito preto e xailes, nas ruas a coisa ganhou contornos mais urbanos: botins, ténis, vestidos, casacos de ganga… E nem o frio de sábado, que chegou aos 11 graus por altura de Raquel Tavares, assustou: viram-se muitos crop tops, calções e franjas nas ruas da Ribeira.

Apesar de estarmos num festival, não nos podemos esquecer do conceito do Caixa Ribeira: 10 palcos por onde passam 40 fadistas. E isso implica acessórios confortáveis, casacos para o frio que se sente nos palcos ao ar livre e e um bom lenço para aconchegar o pescoço à noite. Exemplo disso é Beatriz Ramada, que mostra que um casaco de ganga, uns jeans pretos e uns botins nunca falham.

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Longe das inspirações do Coachella, o Caixa Ribeira mostrou ser um festival citadino: as gangas, os ténis, os botins e os lenços foram o mote. (Foto: Ricardo Castelo/Observador)

No sábado, encontrámos Marta Pinto de Miranda a descansar os pés no Hard Club. Disse ao Observador que tinha vindo de fim de semana ao Porto – a Gaia – e decidiu passar a ponte para ver Raquel Tavares. A blogger não passou despercebida: casaco de franjas, calças subidas e crop top.

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Marta Pinto de Miranda de fim de semana no Porto. Calças de cintura subida e crop top: uma combinação simples mas elegante. (Foto: Helena Magalhães/Observador)

No decorrer das noites, tivemos uma surpresa: a quantidade de estrangeiros a passar pelo Porto e que, ao perceberem da existência do festival, compravam bilhetes para conhecer melhor o fado. Kasia e Sandra são duas amigas que, disseram ao Observador, estão a fazer uma road trip por Portugal. Já haviam estado no Algarve, adoraram Lisboa, subiram a Coimbra e agora estavam a conhecer o Porto. As duas amigas — uma da casaco bomber e outra com adidas vintage — mostram que nesta era das redes sociais, as tendências acabam por ser globais.

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E num festival que combina nomes antigos com as grandes vozes do fado atual, há espaço para misturas de gerações. Enquanto andávamos pelo meio do público do Palco Caixa, vimos mães com filhas, muitas avós a dançar e este ambiente intergeracional também se sentiu na moda. Vimos xailes por todo o lado em reinterpretações modernas: com casacos de cabedal, calças de ganga e até acessórios tribais.

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O tradicional xaile “fadista” apareceu em dezenas de looks jovens, à cintura, caído nas costas, ao pescoço e com acessórios modernos, como este gancho com um padrão animal. Afinal, o xaile está na moda. (Foto: Helena Magalhães/Observador)

Se acha que fado é para os mais velhos, então nem sabe o que anda a perder. Reunimos em fotogaleria rostos e looks que mostram que o fado chama muita gente gira.