A agência de notação Moody’s acredita que se o crescimento da economia portuguesa não acelerar o Governo socialista terá de tomar necessariamente medidas adicionais para cumprir as metas orçamentais a que se propôs. Mais: se se essas medidas, na eventualidade de virem a ser necessárias, não forem adotadas pelo Executivo de António Costa, a agência de notação pode considerar a revisão em baixa do rating da República portuguesa.

Os analistas da Moody’s reconhecem que o “crescimento da despesa” permaneceu “sob controlo”, mas alertam para o facto de o crescimento da receita ter sido de “apenas 0,5%, significativamente mais baixo que o aumento orçamentado (3,6%)”. Se a economia portuguesa continuar a crescer a este ritmo, insistem, dificilmente Portugal conseguirá evitar medidas extraordinárias.

O que leva ao segundo ponto: nesse cenário, se o Governo português não tomar essas medidas e se existirem “sinais de uma diminuição do compromisso do governo com a consolidação orçamental e redução da dívida” o rating do país pode descer, pode ler-se na atualização trimestral sobre a situação económica de Portugal.

Numa altura em que, no Parlamento e no Governo, se discute o plano de capitalização da Caixa Geral de Depósitos, a Moddy’s deixa um aviso: mesmo considerando que, atendendo às regras de concorrência europeias, este plano não terá “impacto nas finanças públicas”, os analistas acreditam que “há toda a probabilidade da dívida pública aumentar com o montante da injeção de capital, assumindo que o governo financia essa operação via dívida”.

Sobre o Novo Banco, mais um alerta: “O processo de venda para o Novo Banco constitui um risco adicional, ainda que mais indireto e de longo prazo para o Governo português”. Se a venda for feita abaixo do valor injetado pelo Fundo de Resolução, lembram, qualquer défice teria de ser suportado pelos outros bancos portugueses”, o que tornaria ainda mais difícil para os bancos portugueses tornarem-se lucrativos.