Cientistas australianos descobriram que um medicamento usado para tratar a osteoporose pode prevenir o cancro da mama e do ovário em mulheres com mutações no gene BRCA1. Esta descoberta pode poupar muitas mulheres de duplas mastectomias e histerectomias preventivas. O estudo foi publicado na Nature Medicine.

Uma em cada mil mulheres tem a mutação do gene que ficou conhecido como “gene Jolie”, depois de a atriz ter descoberto que tinha uma mutação que aumentava a probabilidade de vir a desenvolver cancro da mama ou dos ovários. O BRCA1 aumenta entre 12,5 e 58 por cento a probabilidade de ter cancro da mama e 29 vezes a de ter cancro nos ovários.

As novas descobertas permitiram perceber quais as células que causam a doença e como impedi-las de se tornarem cancerígenas. A descoberta foi propiciada pelo facto de terem constatado que as células pré-cancerígenas eram alimentadas pela mesma proteína que forma as células que destroem os ossos de quem tem osteoporose.

Denosumab é medicamento que é usado para tratar a osteoporose e fá-lo inibindo a proteína que a causa. É este o medicamento que pode também prevenir a formação de tumores. Os testes laboratoriais em tecido mamário de mulheres com o ‘gene Jolie’ e os ensaios feitos em ratos mostraram resultados promissores.

As primeiras fases de testes laboratoriais deixaram os cientistas animados, mas ainda há um longo caminho para percorrer. Os ensaios clínicos já começaram e, se se confirmarem os resultados, este pode ser uma grande esperança para as mulheres com predisposição genética para ter cancro da mama e dos ovários. Até agora, a única opção era a remoção cirúrgica das mamas e dos ovários, um procedimento que tem um grande impacto físico e psicológico para quem passa por ele.