O ministro espanhol do Interior, Jorge Fernández-Díaz, foi apanhado em gravações que revelam uma conversa com o diretor da Oficina Antifraude de Cataluña (o equivalente ao gabinete português anti-corrupção), Daniel de Alfonso, onde os dois alegadamente conspiram contra partidos independentistas. Os escândalo está a marcar a reta final da campanha eleitoral, com os pedidos de demissão de Férnandez-Díaz a multiplicar-se. Daniel de Alfonso já tem os dias contados.

A apenas quatro dias da ida às urnas, agendada para 26 de junho, todos os líderes da oposição pediram a demissão de Férnandez-Diaz, que já negou ter participado em qualquer conspiração e acusa, em contrapartida, a revelação das gravações como uma manobra de manipulação política. Daniel de Alfonso já está à beira da demissão. Segundo o El País, todos os grupos parlamentares, à exceção do PP, assinaram esta quarta-feira um requerimento para chamar com urgência o diretor do gabinete anticorrupção ao Parlamento. Este é o passo prévio para que o responsável se explique antes que a maioria vote a sua demissão.

A conversa, revelada pelo jornal Público, remonta a 2014. Na gravação ouve-se a voz do ministro do Interior (o equivalente à nossa pasta da Administração Interna) a insistir com Daniel de Alfonso para procurar dados que incriminem dirigentes de partidos da oposição, o Esquerra Republicana de Catalunya (ERC) e o Convergència (CDC).

“Não nos podemos esquecer que estamos a falar do irmão de Junqueras”, ouve-se o ministro dizer, defendendo que se devia encontrar algum dado comprometedor nas adjudicações do Executivo tripartido catalão (do qual Oriol Junqueras, líder do ERC, é vice-presidente) à empresa Cespa, onde trabalhava o irmão, Roger Junqueras.

“Estamos a investigar coisas do Esquerra, mas são muito débeis”, responde o diretor do gabinete anticorrupção, adiantando que pediu que outros indícios que envolviam o pai de Oriol Junqueras fossem também investigados.

O chefe do Executivo espanhol, Mariano Rajoy, garante que desconhecia as gravações e que nem tampouco sabia quem era o chefe do gabinete anticorrupção. Mais: diz que até desconhecia a existência daquele cargo. Ainda assim, Pedro Sánchez, líder do PSOE, Pablo Iglesias, do Podemos, e Albert Rivera, do Ciudadanos, todos pediram a demissão de Jorge Fernández-Díaz.

“Tem que abandonar a vida política deste país”, disse Pedro Sánchez. “Ouvi as gravações e vemos um ministro do Interior, se se supõe que tem de nos proteger a todos, aparentemente a utilizar o seu cargo para investigar rivais políticos. Isto deveria implicar demissão imediata”, reagiu Pablo Iglesias. “Isto não é a Venezuela, nem queremos que o seja, mas alguns agem igual à Venezuela”, atirou Abert Rivera.