Os ministros do comércio do G20 defenderam este domingo um estímulo às trocas internacionais de bens e serviços para ajudar à recuperação da economia e mostraram-se preocupados com o aumento das barreiras comerciais.

“A recuperação económica global está a avançar, mas continua a ser desigual. (…) O comércio e o investimento devem permanecer os principais motores do crescimento global”, disseram, na declaração final, os ministros do Comércio das 20 maiores potencias mundiais, que se reuniram este fim de semana em Xangai.

O ritmo de crescimento do comércio internacional caiu com a crise financeira e é desde 2009 abaixo de 3,0% ao ano, contra a média de mais de 7,0% nas duas décadas anteriores. Perante a dificuldade de pôr a economia a crescer e com a pressão competitiva, há países — mesmo dentro do G20 – que têm vindo reforçar as medidas protecionistas do comércio, o que preocupa os ministros.

“Apesar dos repetidos compromissos assumidos no G20, o número de medidas que restringem o comércio de bens e serviços continuou a aumentar”, afirmou o ministro chinês do Comércio, Gao Hucheng, citando as conclusões acordadas este domingo. Entre as medidas protecionistas adotadas desde 2008 pelos países do G20, cerca de 75% ainda então em vigor, acrescentou.

A China, que este ano tem a presidência do G20, é visada na crítica e mesmo acusada de praticar medidas ‘antidumping’, sobretudo de inundar o mercado mundial de aço barato para aliviar o enorme excesso de capacidade das suas siderúrgicas. A China produz metade do aço mundial.

Recentemente, o Parlamento Europeu apelou em voto a que seja recusado à China o estatuto privilegiado de “economia de mercado” devido precisamente à questão do aço. Os membros do G20 são a África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Estados Unidos da América, França, Itália, Índia, Indonésia, Japão, México, República da Coreia (Coreia do Sul), Reino Unido, Rússia, Turquia e União Europeia.