Filipinas

Guerra contra a droga já fez mais de 700 mortos nas Filipinas

O novo Presidente filipino, Rodrigo Duterte, prometeu uma guerra sem tréguas ao tráfico de droga. Os resultados estão aí: mais de 700 pessoas mortas às mãos da polícia e de grupos de vigilantes.

Duterte prometeu impunidade a quem matasse traficantes e "viciados". A ordem é para matar

Getty Images

Autor
  • Miguel Santos Carrapatoso

Os números são expressivos. Nos últimos três meses, as autoridades filipinas, secundadas não raras vezes por grupos de vigilantes, mataram mais de 700 pessoas suspeitas de estarem envolvidas no tráfico e consumo de drogas. Esta verdadeira guerra sem quartel foi denunciada por mais de 300 organizações não-governamentais, que já vieram pedir a intervenção urgente das Nações Unidas.

“Apelamos [aos responsáveis] da ONU que condenem publicamente as atrocidades cometidas nas Filipinas. Esta matança sem sentido não pode ser justificada como uma medida de combate [ao tráfico] de droga. O silêncio é inaceitável, quando existem pessoas a serem assassinadas nas ruas dia após dia”, sublinhou Ann Fordham, diretora executiva do Consórcio Internacional sobre Políticas de Drogas (IDPC), em declarações ao The Guardian.

O combate cerrado ao tráfico de droga, alimentado por uma política de shoot first ask later, acontece sob o incentivo explícito do novo Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, como lembra o mesmo jornal britânico. Duterte foi eleito depois de ter protagonizado uma campanha eleitoral centrada, precisamente, na guerra contra as drogas.

Em junho, quando celebrava a vitória nas eleições presidenciais perante uma multidão em êxtase, Duterte incentivou os filipinos a pegarem em armas e a vestirem a pele de carrascos. “Se conhecerem viciados em drogas, matem. Seria muito doloroso se fossem os pais a fazê-lo”.

Apesar do número cada vez mais chocante de vítimas mortais, o Presidente filipino não parece disposto a ceder um centímetro na estratégia que definiu. Ainda durante a campanha eleitoral, Rodrigo Duterte admitiu que a guerra contra as drogas podia resultar na morte de mais de 100 mil pessoas, nem que para isso fosse preciso despejar os corpos na Baía de Manila.

Mesmo com o apelo de várias organizações internacionais de defesa dos direitos do homem e com a crescente oposição interna, a retórica inflamada de Duterte, que foi eleito depois de ter defendido, em plena campanha eleitoral, a reintrodução da pena de morte por enforcamento e a entrega de recompensas monetárias a quem entregasse corpos de traficantes de drogas, não dá sinais de refrear. E ONU tornou-se também o alvo do Presidente filipino.

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