O candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, surpreendeu na noite de quinta-feira ao mostrar “arrependimento” por “algumas coisas que disse” e que possam ter causado “dor pessoal” a alguém. Foi num comício no estado da Carolina do Norte que o empresário proferiu as palavras que podem sinalizar uma mudança da estratégia de campanha, já que este era o candidato que em maio dizia que “o que é dito, está dito”.

Donald Trump mudou de equipa de campanha (pela segunda vez em dois meses) e, agora, poderá estar, também, a mudar de estratégia comunicacional. “Por vezes, no calor dos debates e dos discursos sobre uma vasta gama de temas, não se escolhem bem as palavras ou dizem-se as coisas erradas”, afirmou Donald Trump na quinta-feira.

“Eu fiz isso e, acreditem ou não, eu lamento tê-lo feito. Lamento, em particular, casos em que posso ter causado dor pessoal”, acrescentou o candidato republicano.

O pedido de desculpas poderá ser uma tentativa de virar o jogo na campanha eleitoral, perante a queda nas sondagens protagonizada por Trump e pelo Partido Republicano. Como recorda o The Guardian, numa entrevista em que se falava sobre declarações de Trump sobre o republicano John McCain, Donald Trump deixou claro: “Não gosto de me arrepender de nada”, afirmava Trump. “Dizemos coisas, fazemos coisas e, francamente, aquilo que disse está dito“, notava o empresário há cerca de quatro meses.

Desde então, contudo, Donald Trump tem sido castigado nas sondagens devido a declarações polémicas, sobretudo as críticas a um muçulmano, pai de um soldado morto no Afeganistão, que foi ao congresso do Partido Democrata e que, por isso, viu os seus “sacrifícios” questionados por Trump.

“Como sabem, não sou um político”

Na quinta-feira, no comício na Carolina do Norte, Trump mostrou arrependimento mas não deixou de temperar a declaração dizendo que “está demasiado em jogo para que nos deixemos consumir por estas questões“.

Aplaudido pela plateia, Trump continuou a enquadrar o seu pedido de desculpas: “Como sabem, eu não sou um político. Nunca quis aprender a linguagem dos insiders [aqueles que estão dentro] e nunca fui politicamente correto — é algo que nos rouba demasiado tempo e é algo que acaba, muitas vezes, por nos impedir de atingir uma vitória total”.

Outra novidade: o discurso de Donald Trump foi feito com a leitura de um teleponto.