O Grupo Português de Ativistas sobre Tratamento de VIH/sida vai ter um novo serviço, a partir de segunda-feira, chamado Espaço Intendente, dirigido sobretudo aos trabalhadores sexuais, pessoas ‘trans’, migrantes e sem-abrigo, para rastreios ao VIH, hepatites virais e sífilis.

O Espaço Intendente fica na rua Antero de Quental, em Lisboa, e vai funcionar nos dias úteis, das 16:00 às 20:00.

Em declarações à agência Lusa, o presidente do Grupo Português de Ativistas sobre Tratamento de VIH/sida (GAT) explicou que este é um serviço que surge depois de terem sido descontinuados outros dois serviços que funcionavam na mesma zona, mas que eram direcionados para as mulheres prostitutas que trabalhavam naquela área urbana.

De acordo com Luís Mendão, a intenção é substituir os serviços que foram descontinuados, “eventualmente com uma ambição maior do que tinha inicialmente”, estando aberto a qualquer cidadão, independentemente da nacionalidade ou estatuto legal.

“Vai-se procurar que a equipa seja especialmente treinada para responder às necessidades de algumas das populações chave e das necessidades de saúde sexual incluindo prevenção, rastreios e tratamentos”, explicou o responsável.

Nesse sentido, este é um serviço sobretudo destinado às pessoas que fazem trabalho sexual, sejam de rua ou não, homens e mulheres transgénero, migrantes de origem subsariana e com mais dificuldades de acesso aos cuidados formais de saúde e pessoas que vivem em situação não regular em Portugal.

Aqui, numa primeira fase, vai haver rastreios de sífilis, VIH/sida, hepatites virais (B e C).

“Pretendemos, rapidamente, passar a ter uma consulta aberta para o rastreio e tratamento das infeções sexualmente transmissíveis, incluindo o rastreio do cancro do útero, nas mulheres, do HPV [Vírus do Papiloma Humano], nos homens e mulheres, programa de vacinação, sobretudo de hepatite B”, adiantou Luís Mendão.

O responsável acrescentou que espera, eventualmente, que haja uma aprovação, no Programa Nacional de Vacinação, da vacinação de adultos, homens e mulheres em risco, para o HPV.

O espaço terá ainda um sítio onde as pessoas da comunidade podem encontrar e “discutir os seus problemas” ou arrancar com projetos de génese comunitária.

“Falta muito que estas populações não só se organizem, tomem conta do seu destino, trabalhem pelo acesso à plena cidadania [porque] sem eles é muito difícil de desenhar as respostas, e que estejamos a fomentar também algum movimento de autonomização destas populações, de modo a que a sua situação de vulnerabilidade possa ser diminuída”, defendeu.

Luís Mendão frisou também que só foi possível arrancar com este novo serviço graças ao apoio da Câmara Municipal de Lisboa (CML).

Acrescentou que já foi lançado o “desafio” ao Ministério da Saúde para poderem contratualizar os serviços de análises e rastreios e cumprir as condições para poderem fazer tratamento no local.

O responsável disse ainda que vão tentar fazer contratualizações não só com o Serviço Nacional de Saúde, mas também com os hospitais da zona de influência da Mouraria e do Intendente, e que pensam contar com a supervisão do Instituto de Saúde Pública, da Universidade do Porto, e com o Laboratório do Hospital de São João, no Porto.