O embaixador itinerante angolano admitiu este sábado que os hospitais do país passaram “um período de maior sufoco” por escassez de produtos básicos, mas desvalorizou uma reportagem no Washington Post que relata falta generalizada de medicamentos, agulhas e luvas esterilizadas.

“Houve de facto, e ninguém negou isso, um período de maior – permitam-me a expressão – de maior sufoco, porque, como sabemos, grande parte dos produtos transacionados, ou produtos consumidos em Angola, são importados. Não temos ainda uma indústria – por exemplo nesta área [da Saúde] – uma indústria médica com capacidade de responder a 27 milhões de habitantes”, disse António Luvualu de Carvalho numa entrevista à agência Lusa em Lisboa.

De acordo com uma reportagem do Washington Post de 2 de agosto, no Hospital Geral dos Cajueiros, no município do Cazenga, em Luanda, “a crise petrolífera transformou-se numa emergência médica”. Uma situação que o repórter diz ser exemplo do que se passa na maioria das unidades hospitalares do país.

“No hospital, tal como a maioria em Angola, acabaram-se as agulhas, as luvas para cirurgia e quase toda a medicação. A única forma de os doentes terem acesso a tratamento é se os seus familiares comprarem esses artigos no mercado negro. A maioria dos angolanos não ganha o suficiente para isso. Nas últimas semanas, não há testes de HIV ou vacinas para a tuberculose disponíveis em lado nenhum, segundo profissionais de saúde internacionais e angolanos”, escreve o repórter do Washington Post.

O embaixador itinerante angolano, de passagem por Lisboa, desvalorizou o cenário descrito pelo diário norte-americano.

“Naturalmente que respeitamos a reportagem do Washington Post, mas melhor do que o Washington Post somos nós que vivemos lá”, disse.

António Luvualu de Carvalho realçou que as empresas da área da Saúde no país, caso da Angomédica, “não tem ainda capacidade de atender esta grande população só com os produtos produzidos em Angola”.

“Por isso muitos desses produtos são importados. E sabemos que os importadores tiveram grandes dificuldades em função da falta de divisas. Mas não chegámos a uma situação de calamidade, não chegámos a uma situação de abandono dos doentes nos hospitais como se dá a entender. Não. Houve dificuldades, de facto, mas o governo da República de Angola é uma instituição responsável e o governo é uma pessoa de bem, que quer – acima de tudo – o bem dos seus cidadãos”, salientou o diplomata.

O embaixador destacou ainda a ajuda que países parceiros como Estados Unidos, Portugal e Brasil têm prestado ao governo de Angola, “para que a situação volte a estabilizar”.

“Nos últimos meses nós vimos que houve uma estabilização. O governo dos Estados Unidos da América tem apoiado muito nesta área, da Saúde. O ministro da Saúde [de Angola] tem mantido reuniões frequentes com os agentes sociais dos Estados Unidos – que trabalham muito com as comunidades, com as organizações não governamentais para atingir um equilíbrio”, salientou o embaixador.

Por isso mesmo, António Luvualu de Carvalho disse que a situação em Angola “não é tão alarmante como se tentou passar”.

“Houve dificuldades, de facto, e elas são assumidas pelo governo da República de Angola, mas não estamos nem estivemos numa situação de descalabro”, concluiu.