Fernando Medina admite que as obras de requalificação da Segunda Circular vão ser atiradas mais para a frente no calendário, sendo impossível executá-las até ao final deste mandato (final de 2017). O presidente da Câmara de Lisboa fala, numa entrevista ao Expresso, da polémica em trono do pedido de anulação do concurso público que adjudicou a obra, e sobre eventuais responsabilidades da Câmara neste processo, assume: “A Câmara faz sempre o seu melhor. As equipas técnicas desenvolvem os melhores esforços. Mas não estão imunes ao erro, ninguém está imune ao erro“.

O autarca, de acordo com a descrição feita pelo jornal, chega a irritar-se durante a entrevista, quando é questionado sobre a atuação da Câmara no processo, nomeadamente sobre o conhecimento que tinha do que constava no caderno de encargos e se isso não permitiria saber logo à partida que a empresa que aconselhava o material era a mesma que o produzia. Recorde-se que Medina propôs a anulação do concurso público para a adjudicação do projeto para a requalificação da Segunda Circular, depois do júri ter considerado existir um “conflito de interesses”: a empresa que aconselhara um pavimento específico era a mesma que o produzia em “exclusividade”. Uma versão que já foi contestada pela empresa.

Com este imbróglio, o presidente da Câmara assume desde já que “executar a obra [ainda no atual mandato] será praticamente impossível nos tempos que demora a tramitação dos concursos públicos”. “As obras no terreno não vão avançar”, diz Fernando Medina em entrevista ao semanário admitindo também que vai rever o projeto:

Pedi que fosse feita uma revisão de todas as peças, para saber se há soluções que têm de ser definitivamente abandonadas, porque não são possíveis ou se pelo contrário se vão manter”

Piscar o olho à esquerda

Medina ainda falou das próximas autárquicas, para atirar mais para a frente decisões sobre eventuais coligações. “Ainda é muito cedo”, disse o autarca dizendo que acordos futuros dependem “da vontade e das circunstâncias”.

É prematuro discutir agora cenários pré-eleitorais e muito mais cenários pós-eleitorais”.

Mas o socialista não esconde preferências e, questionado sobre alianças à esquerda responde que “qualquer solução de plataforma deve ser um alinhamento sobre prioridades políticas para a cidade” e ainda que “nos projetos de futuro há uma convergência à esquerda”, dando como exemplo a “incorporação dos transportes públicos na gestão municipal” ou no “acesso à habitação”. E quando confrontado com as áreas em que não tem havido convergência entre PS, PCP e BE na autarquia (como o mapa das freguesias ou o Plano Diretor Municipal), o autarca atira que valoriza “as área de convergência” e acrescenta não acreditar que no próximo mandato as questões em que divergem “assumam a importância que assumiram no passado”.