Os ex-Presidentes Mário Soares e Jorge Sampaio vão ser condecorados a 28 de outubro, em Lisboa, pelo chefe de Estado timorense com o Grande-Colar da Ordem de Timor-Leste, a mais alta condecoração do país para estrangeiros.

Fonte da Presidência da República confirmou à Lusa que as entregas das condecorações aos ex-Presidentes portugueses serão feitas durante uma curta paragem de menos de um dia que Taur Matan Ruak fará em Lisboa a caminho da Cimeira da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) no Brasil.

Taur Matan Ruak deverá chegar a Lisboa a 28 de outubro, seguindo para o Brasil no dia seguinte, segundo a mesma fonte.

A Ordem de Timor-Leste pretende “demonstrar o reconhecimento de Timor-Leste por aqueles, nacionais e estrangeiros, que, na sua atividade profissional, social ou, mesmo, num ato espontâneo de heroicidade ou altruísmo, tenham contribuído significativamente em benefício de Timor-Leste, dos timorenses ou da Humanidade”.

No caso do Grande Colar, tem de ser obrigatoriamente entregue pelo chefe de Estado.

A condecoração de Jorge Sampaio já foi outorgada a 30 de maio de 2009 pelo então Presidente da República, José Ramos-Horta, que agraciou com o mesmo galardão e na mesma altura o ex-Presidente moçambicano Joaquim Chissano e as Nações Unidas.

Já a atribuição do galardão a Mário Soares foi decidida a 3 de agosto por Taur Matan Ruak.

“O dr. Mário Soares é um exemplo de uma longa vida política. Combateu ativamente o fascismo e foi um defensor dos povos colonizados, a autodeterminação. Com a Revolução dos Cravos, teve por mérito próprio a oportunidade de desempenhar vários cargos na política portuguesa”, destaca o decreto.

O texto recorda que durante a sua presidência, Mário Soares “pronunciou-se vezes sem fim a favor do direito inalienável à autodeterminação do povo timorense”, tendo, depois do massacre de Santa Cruz, em 1991, escrito ao papa João Paulo II e ido a Roma para falar de Timor-Leste.

Enquanto eurodeputado, sublinhou ainda, “esforçou-se por conseguir que a causa e os direitos do povo timorense fossem reconhecidos no Parlamento Europeu”.

Já depois da independência, a Fundação Mário Soares “elaborou e concretizou um projeto de grande relevância para a preservação da memória da heroica luta do povo de Timor-Leste pela sua liberdade”, nomeadamente o Arquivo e Museu da Resistência timorense em Díli, refere.