Os combustíveis fósseis e as emissões de dióxido de carbono (CO2) e de metano (CH4) têm sido o principal alvo no que diz respeito ao combate às alterações climáticas. Mas a redução da emissão de hidrofluorocarbonetos (HFC) anunciada este sábado poderá ter um impacto ainda mais significativo na prevenção do aumento da temperatura global do planeta para cumprir o Acordo de Paris.

O objetivo é prevenir o aumento de 0,5 graus Celsius – causados só pelos HFC – até ao final do século. O acordo, agora alcançado em Kigali (Ruanda), consegue cumprir cerca de 90% deste objetivo, refere Durwood Zaelke, presidente do Instituto para a Governança e Desenvolvimento Sustentável, citado pelo The Guardian. “Esta é a maior redução de temperatura alguma vez conseguida num único acordo.”

“[O novo acordo] equivale a parar com as emissões mundiais de dióxido de carbono, com origem nos combustíveis fósseis, por mais de dois anos”, disse David Doniger, membro do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, citado pelo The Guardian.

Os cerca de 150 países envolvidos nas negociações conseguiram chegar não só a um acordo sobre a redução gradual da emissão destes gases com efeito estufa, mas também o momento em que vão começar a fazê-lo. Os países desenvolvidos, como os Estados Unidos – o segundo maior poluidor mundial -, vão iniciar o processo em 2019, enquanto a maior parte dos países em desenvolvimento, como a China – o maior poluidor mundial -, vão iniciá-lo em 2024.

A Índia – o terceiro maior poluidor mundial -, assim como um pequeno grupo de países, conseguiu adiar o início da redução de emissões para 2028. Ainda assim, três anos mais cedo do que era pedido pelo país. A Índia defendia que precisava de um processo mais lento para permitir o crescimento da economia e a adaptação da indústria, já os pequenos Estados-ilha – alguns dos quais em risco de desaparecer por causa das alterações climáticas – defendiam um processo tão rápido quanto possível.

“Pode não ser totalmente o que as ilhas queriam, mas é um bom acordo”, disse Mattlan Zackras, o equivalente a um ministro-adjunto do presidente nas ilhas Marshall.

Os HFC são utilizados sobretudo no fabrico dos equipamentos de ar condicionado e frigoríficos, mas também em extintores e solventes. Foram introduzidos nos anos 1990 para substituir os CFC (clorofluorocarbonetos), responsáveis pelo buraco do ozono, ao abrigo do Acordo de Montreal – um dos mais bem-sucedidos acordos climáticos de sempre. E é ao abrigo de uma alteração neste acordo que os HFC serão reduzidos também.

Por enquanto, os HFC representam apenas 1% da emissão de gases com efeito de estufa, mas com o aumento do uso dos equipamentos que os emitem nas economias emergentes, como China e Índia, espera-se que representem 9 a 19% das emissões em 2050, refere o site Carbon Brief.

Além disso, os HFC são mais eficazes a absorver o calor do que o dióxido de carbono, podendo ter um impacto 1.600 vezes mais forte que o CO2, por cada tonelada de gás emitida. A solução poderá passar por substituir os HFC mais potentes por outros mais fracos na retenção de calor, ou substituí-los mesmo por outros compostos.