Volodymyr Lavriv, o português de 25 anos desaparecido em Londres desde o início de outubro, foi encontrado esta quinta-feira pelo padrasto num hospital psiquiátrico em Essex. Antone Georgica viajou de França para o Reino Unido esta semana para investigar o desaparecimento do jovem estudante de medicina, enquanto a mãe do jovem veio para Portugal à procura de respostas para a ausência do filho. Galyna Lavriv está agora também a caminho de Inglaterra para se encontrar com o filho, que estará internado desde dia 4 deste mês. Entretanto, já conversou com o filho: “Ele está bem. Disse que estava à espera da minha mãe”, contou a irmã, Daryna, ao Observador.

De acordo com as últimas informações dadas pelo padrasto do rapaz à família em Portugal, Volodymyr comprou bilhete para voltar a Lisboa exatamente a 4 de outubro. No entanto, ter-se-á envolvido numa briga violenta no Aeroporto de Luton, o que levou a polícia londrina a detê-lo. Nessa altura tinha os seus documentos com ele. A família não consegue explicar como é que deu entrada no hospital psiquiátrico já sem eles. Devido à briga em que se envolveu, Volodymyr terá de ser presente a tribunal em breve.

Volodymyr Lavriv partiu para Londres a 1 de outubro sem informar a família do motivo que o levava até à capital inglesa. Disse apenas que tinha de “tratar de coisas e fazer coisas que preciso de fazer”. O bilhete de avião havia sido comprado no dia anterior e, de acordo com a senhoria da casa onde morava em Lisboa, a mala que levava sugeria que ele voltaria, no máximo, numa semana. A 2 de outubro, Volodymyr contactou a mãe, mas nunca a esclareceu do seu paradeiro. Ao telefone com a irmã, admitiu ainda que estava numa “guerra espiritual” o que adensou ainda mais as desconfianças já existentes de que Volodymyr não estava psicologicamente saudável. Desde há um ano que dizia “coisas estranhas” aos amigos, segundo alguns deles.

Agora, a família e amigos acreditam que o stress sob o qual Volodymyr estava – o jovem andava a estudar intensivamente para um exame de especialidade em otorrinolaringologia que lhe permitiria começar a exercer medicina – tenha sido a gota de água. Ao Observador, a irmã sugeriu que ele poderia estar num surto psicótico que o levasse a não ter noção das suas ações.

Chegou a temer-se o pior quando a polícia encontrou o cadáver de um homem no rio Trent, a apenas um quilómetro da última localização conhecida de Volodymyr. Os extratos bancários conseguidas pela mãe do rapaz mostram que Volodymyr aterrou no Aeroporto de Gatwick, dirigiu-se a Victoria Street para comer e depois seguiu para Nottingham (em Canal Street), onde fez uma transferência bancária em cerca de 190 euros para uma empresa chamada “Airborne”. A partir daí a conta à ordem que Volodymyr usava ficou a zeros e o jovem nunca mais contactou a família, nem voltou a usar o cartão bancário (mesmo depois de os pais lhe terem transferido dinheiro).

As últimas notícias dadas à mãe do rapaz sugeriam que Volodymyr podia ter passado a noite na Trafalgar Square ou passado por Birmingham, mas essas informações nunca foram confirmadas.