A feira de negócios de Macau arrancou esta quinta-feira com uma forte participação portuguesa que, além de empresas ligadas ao setor agroalimentar, conta com iniciativas do mundo da moda, da tecnologia e até do futebol.

Com Portugal escolhido para país parceiro, são mais de 100 as empresas portuguesas que participam na 21.ª edição da Feira Internacional de Macau (MIF, na sigla inglesa). E se continuam a multiplicar-se os expositores de vinhos, enchidos, cortiça, queijos e licores, algumas presenças são verdadeiras estreias.

É o caso da estilista Fátima Lopes, que participa na MIF pela primeira vez, a convite da plataforma My Portugal Up, ligada à Liga de Chineses em Portugal.

“O mercado de Macau e da China interessa-me particularmente, porque a marca Fátima Lopes está já um pouco nos vários cantos do mundo mas ainda não está na China. Além de vestuário, a marca tem neste momento calçado, acessórios de moda, uma série de produtos que acredito que podem fazer sucesso em Macau e na China”, explicou.

Munida de um catálogo que mostra a variedade dos seus produtos — “masculino, feminino, do mais casual ao mais sofisticado” –, a estilista diz-se “aberta a todas as possibilidades”, quando questionada sobre a eventual abertura de uma loja em Macau.

“São muitos anos de internacionalização da marca, acho que só falta a China, portanto, aqui estou. Não sei exatamente o que pode acontecer mas acho que é possível fazer parcerias, já que vir para cá sozinha não é fácil. Terei todo o gosto em vir para cá”, afirmou.

A empresa Virtualmente é uma das que mais chama a atenção no recinto da MIF devido aos óculos de realidade virtual que tem expostos e que podem ser experimentados.

Além dos óculos, onde podem ser ajustados telemóveis, a empresa, que está presente em Portugal e em Macau, foca-se no desenvolvimento de aplicações que possam ser usadas com o aparelho de realidade virtual.

“Estar aqui na MIF é muito importante para nós, não só para comunicarmos com os países de língua portuguesa, mas também para comunicarmos com a China”, explicou Telmo Silva, diretor da empresa.

A Virtualmente está já a desenvolver uma aplicação para telemóvel para o Turismo de Macau, que permite explorar a cidade.

“Temos já um protótipo feito, uma aplicação de realidade virtual para Macau, em que a ideia é mostrar Macau ao mundo num ambiente totalmente imersivo”, aponta Telmo Silva.

Após serem colocados os óculos — que já têm o ‘smartphone’ (telemóvel inteligente) lá dentro, com a aplicação a funcionar — é possível “olhar em qualquer direção e sentir como se estivéssemos dentro daquele ambiente, porque o telemóvel ajusta a imagem para onde se olha”, explicou.

“Esta aplicação é uma nova forma de apresentar a cidade. Antes de virem a Macau, as pessoas podem visitar os sítios todos”, indicou Fernando Pereira, sócio da empresa.

Óculos de realidade virtual são também utilizados por outro estreante na MIF, o Futebol Clube do Porto (FCP), que está em Macau para promover, em particular, o museu do clube.

“Temos algumas iniciativas, como a realidade virtual, em que podemos mostrar aos visitantes da feira o museu e o Estádio do Dragão, sem as pessoas lá irem. No fundo, a partir daí promovemos o FCP como uma oportunidade para empresas de investimento e como um produto turístico para o público em geral”, explicou Luís Valente, representante do museu na MIF, à agência Lusa.

A presença na feira é particularmente explicada pela vontade de “captar parceiros e investimento” para o museu e outras áreas de negócio do grupo, indicou.

“Nos três anos em que [o museu] esteve aberto tivemos 410 mil visitantes, o que para a realidade de Portugal e do Porto é bastante significativo, e 40% desses visitantes são estrangeiros, o que já diz sobre a internacionalização da marca FCP”, salientou Luís Valente.