Jerónimo De Sousa

“O ministro das Finanças alemão a tratar Portugal como se fosse uma colónia alemã”, diz líder comunista

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Numa sessão de esclarecimento na Figueira da Foz sobre o Orçamento do Estado para 2017, o líder comunista falou das declarações recentes do ministro das Finanças alemão sobre Portugal.

PAULO NOVAIS/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O secretário-geral do PCP acusou na noite de sexta-feira o ministro das finanças alemão de tratar Portugal como se fosse uma colónia alemã, considerando a intervenção de Wolfgang Schauble como uma “inaceitável intromissão” nos assuntos nacionais

“Temos também o senhor ministro das Finanças alemão a tratar Portugal como se fosse uma colónia alemã, com advertências acerca do caminho que o país está a percorrer, entre elogios ao anterior Governo PSD/CDS e à politica que afundou o país. E a insinuar riscos de novos resgates”, disse Jerónimo de Sousa, na noite de sexta-feira, durante uma sessão de esclarecimento na Figueira da Foz.

O líder comunista criticou ainda o “escandaloso exultar” de PSD e CDS-PP face às “insinuações e ultimatos” de Bruxelas e de Berlim e também o que disse ser uma “indecorosa e repentina” operação de “auto-tramutação partidária” de social democratas e centristas “em que se envolveram a seguir à apresentação da proposta de Orçamento” do Estado para 2017.

“Eles que eram o Governo do ‘tira, tira, corta, corta’ nas condições de vida do povo, salários, reformas, direitos, serviços públicos essenciais e no investimento. Eles que eram o Governo do ‘carrega, carrega’ sempre os mesmos com impostos, os trabalhadores e o povo”, frisou Jerónimo de Sousa.

Depois de uma intervenção inicial de 25 minutos, o líder do PCP falou durante cerca de uma hora em resposta a questões colocadas pelas cerca de 100 pessoas presentes na sessão, entre dirigentes sindicais e militantes e simpatizantes comunistas.

Na resposta a uma militante sobre a relação com o Governo PS, Jerónimo de Sousa disse que o acordo foi assinado com os socialistas “no interesse dos trabalhadores e do povo”, mas argumentou que o Governo não é de esquerda e o PCP não é “força de suporte” do executivo liderado por António Costa.

A esse propósito, o secretário-geral do PCP contou que “ouve-se muito” pelo país que o PCP está no Governo, mas recusou que assim seja.

“Vocês estão no Governo, ouve-se muito, eu nunca tive tanto caderno de encargos como quando ando pelo país fora. Vocês estão muito bem lá no Governo, parabéns’. Não há nenhum Governo das esquerdas, não há nenhum Governo de esquerda, não há nenhum Governo com acordo interparlamentar, o PCP não é força de suporte deste Governo”, alegou Jerónimo de Sousa.

Durante a sessão, o líder comunista avisou que o atual Governo “durará tanto mais ou tanto menos conforme responder mais ou menos aos interesses dos trabalhadores, do povo e do país”.

Na intervenção final, Jerónimo de Sousa voltou a este tema, frisando que o PCP sabe o terreno que pisa, “num quadro [nacional] de grandes incertezas, dúvidas e complexidades que estão colocadas” e que o seu primeiro e principal compromisso “é com os trabalhadores e com o povo português e não com o Governo do PS”.

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