Os deslocados devido aos combates nas zonas oeste da cidade setentrional síria de Alepo afirmam que houve saques das milícias leais ao regime sírio, informou hoje o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). Num comunicado, a ONG assegurou que os deslocados que regressaram às suas casas, depois das milícias pró-governamentais terem expulsado os rebeldes dos bairros onde viviam, informaram que as habitações tinham sido roubadas pelas milícias leais ao regime.

No sábado, as forças leais ao presidente Bashar al-Assad conseguiram recuperar todas as zonas que os rebeldes tinham ocupado há semanas.

Os habitantes destes bairros afirmaram a voluntários do OSDH que quando regressaram as casas vazias e responsabilizaram pelos roubos os membros dos Comités de Defesa Nacional, uma milícia que combate juntamente com as tropas sírias contra os rebeldes.

Segundo o OSDH, os civis também acusaram os milicianos de obrigar os civis a pagar-lhes dinheiro nos postos de controlo quando se deslocam entre a cidade de Alepo e zonas do norte da província homónima, controladas pelo Governo sírio, ou em viagens fora dessas áreas.

O OSDH adianta que vários civis afirmaram que nas barreiras próximas às linhas da frente de batalha (na província de Alepo), os milicianos os proíbem de sair com os objetos das suas casas.

As forças do regime sírio conseguiram recuperar o controlo de todas as zonas da cidade de Alepo, que foram retiradas pelos rebeldes em duas semanas de ofensiva, tendo retomado o controlo de Dahie al Asad, os postos de controlo de Al Sura e Al Sater, a zona de Menyan e uma fábrica de cartão no sudoeste da cidade.

Uma fonte militar, citada pela SANA, explicou que as unidades do Exército restabeleceram a “segurança” em Dahie al Asad e também avançaram na zona de Al Makateb, causando “perdas aos terroristas” e destruindo parte dos veículos e armamento dos mesmos. Desta forma, o Exército ampliou “o círculo de segurança” em redor de bairros ocidentais – nas mãos das autoridades – alvo nas últimas semanas de bombardeamentos dos rebeldes, adiantou a fonte.

Estas vitórias, que se juntam à recuperação há uns dias da zona do Projeto 1070 e da área da escola Al Hekma, também no sudoeste, representam o regresso do Exército aos mesmos limites que controlava antes do lançamento pelos rebeldes da ofensiva ‘Grande epopeia de Alepo’, iniciada em 28 de outubro último. Segundo o OSDH, as forças do regime sírio também recuperaram no atual contra-ataque zonas cujo controlo tinham perdido em agosto último na periferia da cidade.

Nestas duas semanas de combates e bombardeamentos aéreos e de artilharia, pelo menos 454 pessoas morreram, incluindo 215 rebeldes, 143 soldados e milicianos pró-governo e 90 civis, dos quais 29 menores de idade, adiantou o OSDH.

Alepo é disputada pelas forças de Damasco e pelos rebeldes desde meados de 2012, quando estes conquistaram amplas áreas da cidade, a segunda maior da Síria e uma das mais castigadas pelo conflito iniciado em março de 2011. A situação é especialmente crítica nos bairros orientais, sitiados pelo regime desde julho último e onde a ONU alertou na última semana que já não há alimentos para entregar aos civis necessitados.