Pelo menos 39 soldados das forças leais ao parlamento líbio de Tobruk (este do país) e nove milícias próximas do antigo governo rebelde islamita em Trípoli morreram em intensos combates nos últimos três dias na cidade de Bengasi.

Fontes das milícias islamitas, Majlis al Shura e Zaura Bengasi, explicaram à agência Efe que os confrontos aconteceram na zona de Al Qauarisha e Qar Yunes, cuja conquista foi reclamada na quinta-feira pelas forças dirigidas pelo marechal Jalifa Hafter, homem forte do este da Líbia. “As milícias não se retiraram, é um recuo estratégico para continuar com a luta”, sublinhou o porta-voz do grupo, que não quis ser identificado.

A mesma fonte indicou que bombardeiros dos Emirados Árabes Unidos apoiaram a ofensiva com cerca de 40 ataques a diferentes posições de Bengasi e arredores nas últimas 72 horas. “Na batalha de hoje perdemos nove homens e outros 14 ficaram feridos. Conseguimos destruir três tanques”, indicou o porta-voz.

Responsáveis médicos informaram, por seu lado, que pelo menos 25 soldados das forças lideradas por Hafter morreram e mais de 40 ficaram feridos nos confrontos armados de quinta-feira, a que se juntam as 14 baixas dos dois dias prévios.

Os combates em Bengasi, cidade sobre cerco das tropas leais a Tobruk desde maio de 2014, agudizaram-se no domingo depois dos bombardeiros de Hafter atacarem um edifício civil no bairro de Ganfuda e matarem um homem, ferindo cinco membros da sua família.

A Líbia é um estado falhado, envolvido em caos e guerra civil, desde que há cinco anos a comunidade internacional apoiou o levantamento rebelde em Bengasi e contribuiu militarmente para a queda de Muammar Khadafi. Cinco anos depois, dois governos — um em Trípoli e outro em Tobruk — lutam pelo poder e controlo dos recursos petrolíferos com ajuda de dezenas de milícias que frequentemente mudam de lado.