Mais de 15 mil funcionários públicos adicionais foram afastados pelo Governo turco no quadro dos saneamentos iniciados depois da tentativa de golpe de Estado em julho, de acordo com dois decretos publicados esta terça-feira no diário oficial.

Segundo os decretos, 15.726 pessoas foram despedidas, das quais 7.600 membros das forças de segurança interna, 2.700 do Ministério do Interior, e cerca de 1.200 do ensino.

Por outro lado, 550 associações, nove órgãos de comunicação social e 19 estruturas de saúde privadas foram encerradas através de decretos governamentais.

Estas medidas foram tomadas no quadro do estado de emergência instaurado depois da tentativa de golpe de julho. As autoridades turcas acusam Fetthullad Güllen, um clérigo exilado nos Estados Unidos, de ter arquitetado o golpe fracassado, o que o visado desmente.

Desde a tentativa de golpe, mais de 35 mil pessoas foram presas na Turquia e várias dezenas de milhares de professores, polícias e magistrados, entre outros, foram afastados ou suspensos das respetivas funções.

A magnitude inédita das purgas na Turquia tem suscitado várias inquietações por parte dos seus parceiros internacionais, assim como das organizações de defesa dos Direitos Humanos, que alegam que a instauração do estado de emergência está a ser usada para a repressão de toda e qualquer voz dissidente no país.

A União Europeia criticou vivamente a prisão de deputados pró-curdos e de jornalistas conotados com a oposição, suscitando a cólera do Presidente Recep Tayyip Erdogan, que levantou a hipótese esta semana de levar a referendo interno a decisão continuar as negociações de adesão ao bloco europeu.